Telemóveis e dúvidas

Efeitos nocivos das radiações desconhecem-se, mas persiste desconfiança

16 dezembro 2001
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A desconfiança da opinião pública relativamente às radiações produzidas pelos telemóveis só será apaziguada quando as antenas difusoras de sinal "desaparecerem", ainda que nada confirme representarem perigo para o homem.
 

 

Segundo Kenneth Foster, investigador do Departamento de Bioengenharia da Universidade norte-americana da Pensilvânia, ainda que todos os estudos efectuados até à data não permitam estabelecer uma relação de causa efeito entre as radiações electromagnéticas dos telemóveis e o cancro do cérebro, só quando as antenas se tornarem "invisíveis" para o público a ansiedade e desconfiança irão desaparecer.
 

 

O professor, também consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) deu um exemplo: quando se começaram a instalar candeeiros nas ruas das cidades, as pessoas acreditavam que a luz artificial era prejudicial. "Hoje em dia quem é que repara num candeeiro de rua, ou questiona se faz mal à saúde?", disse.
 

 

Telemóveis e cancro
 

 

Kenneth Foster falava durante um seminário sobre "Exposição Humana a Radiações em Comunicações Móveis: Factos ou Fantasias?", organizado na sexta-feira pelo Colégio de Engenharia Electrotécnica em colaboração com o Instituto de Telecomunicações.
 

 

Mantendo uma posição de relutância relativamente à possibilidade dos telemóveis causarem cancro, Foster sublinhou a importância da indústria sem fios ir de encontro às dúvidas da opinião pública.
 

 

"Sou muito céptico sobre a possibilidade de existirem problemas de saúde significativos derivados da utilização de telemóveis", disse, apesar de alguns estudos registarem algumas pequenas perturbações no sono, actividade cerebral e tensão arterial.
 

 

Desconfiança
 

 

A vaga de desconfiança e medo começou quando, em 1992, David Reynard acusou, perante as câmaras do programa norte-americano Larry King Live, o telemóvel de ter causado um tumor cerebral fatal na sua mulher.
 

 

A revelação causou pânico na opinião pública e acendeu desconfianças relativamente à indústria de telecomunicações, mas acabou por ser arquivada em tribunal, por falta de provas científicas válidas, contou o investigador.
 

 

Porém, o caso acabou por ter repercussões positivas, uma vez que as empresas começaram a financiar estudos para aferir se tais acusações tinham algum fundamento, continuou.
 

 

Durante a sua exposição, Foster deu a conhecer vários estudos sobre os efeitos da exposição humana às radiações electromagnéticas dos telemóveis.
 

 

Todos convergem num ponto, não parece haver relação entre um maior uso e um maior risco de contrair cancro, a doença vulgarmente associada pela opinião pública a esta radiações.
 

 

No entanto, salvaguardou, os estudos não permitem detectar efeitos a longo prazo, pequenos riscos e riscos para pequenos segmentos da população.
 

 

Partindo do princípio que a exposição a essas radiações num local onde esteja instalada uma antena difusora de sinal aumenta significativamente e é constante, o investigador defendeu maior cuidado na colocação destes dispositivos, nomeadamente perto de escolas, zonas residenciais ou áreas sensíveis, como hospitais.
 

 

Uma atitude de prevenção, disse, e ao mesmo tempo um passo para as tornar "invisíveis" aos olhos da opinião pública.
 

 

Fonte: Lusa
 

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