Telemedicina via satélite

Projecto ESA facilita assistência médica em situações de crise

26 outubro 2002
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Testada em aldeias isoladas e a bordo de aviões, a telemedicina via satélite poderá, através do projecto Deltass, tornar-se numa ferramenta preciosa para resolver emergências em situação de catástrofe.
 

 

O Deltass (Disaster Emergency Logistic Telemedecine Advanced Satellites System) é um projecto financiado pela Agência espacial europeia (ESA), conduzido pelo Centro de estudos espaciais francês.
 

 

"O Deltass vai demonstrar que, em situação de emergência e quando as infra-estruturas terrestres forem afectadas, como se verifica durante um tremor de terra ou inundações, os satélites podem oferecer uma resposta eficaz", explica Francesco Feliciani, perito da ESA em software.
 

 

"Em caso de catástrofe, as telecomunicações são o sistema nervoso da guerra", sublinhou por seu lado Nicolas Poirot, do Instituto de medicina espacial (MEDES) de Toulouse.
 

Christian Virenque, na qualidade de chefe do SAMU 31 (organização médica de emergência francófona), viveu a experiência após a explosão de uma fábrica.
 

 

"Durante várias horas tivemos de enfrentar uma quase paralisia dos sistemas de telecomunicações (linhas fixas afectadas e redes GSM saturadas)", recordou.
 

"O Deltass ter-nos-ia seguramente ajudado", considera o médico.
 

 

Presente no Salão internacional de inovação e prospectiva (SITEF) que se realiza em Toulouse, França, até sábado, o Deltass "combina equipamentos necessários à realização de um diagnóstico médico e meios de comunicação via satélite", explica Laurent Braak, também da MEDES.
 

 

O sistema compreende pequenas maletas equipadas com telefone e computadores de bolso para os socorristas e malas de telemedicina mais sofisticas (com equipamentos biomédicos de base e um micro-computador) para os médicos.
 

 

Assim que chegam ao local da catástrofe, os primeiros socorristas determinam o número de vítimas e o seu estado, estabelecendo um nível de urgência.
 

 

Entretanto, é aberto o dossier médico dos feridos que poderá, a partir daí, ser constantemente enriquecido com informação e consultado, nomeadamente pelo centro de coordenação.
 

 

Graças à mala, os médicos vão medir e transmitir os dados médicos de base (tensão arterial, temperatura, saturação em oxigénio, electrocardiograma), à medida que os feridos são transportados para o hospital. "Quando o paciente chega, o seu dossier já lá está", segundo a fórmula de Virenque.
 

 

"É importante saber se o estado do paciente é estável ou se se agrava durante o transporte na ambulância, de forma a melhor preparar a sua chegada", insiste Nicolas Poirot.
 

 

Mais que o estabelecimento de um histórico, imediatamente acessível, de cada paciente, o Deltass permite ter uma visão global do sinistro.
 

 

Isso é essencial porque "conhecer o número de vítimas e a sua localização permite determinar a organização da emergência", nota Nicolas Poirot.
 

 

Se acrescentarmos a estas vantagens a possibilidade de pedir indicações a um hospital a vários quilómetros de distância, para onde é transmitido o dossier médico, o Deltass deverá seduzir as equipas da protecção civil e os serviços de emergência.
 

 

No entanto, falta ainda convencer estes potenciais utilizadores porque, como sublinha Francesco Feliciani, "o problema não é a tecnologia, mas o facto da sua implementação requerer uma mudança na organização do trabalho".
 

 

Fonte: Lusa
 

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