Tecnologia portátil pode ajudar a combater infeções urinárias

Aparelho apresentado no ICAAC/ICC 2015

14 outubro 2015
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Uma nova ferramenta de sequenciação de ADN do tamanho de uma pen USB poderá permitir tratar infeções urinárias de forma mais célere e eficaz, revela a Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido.
 
O novo aparelho, denominado MinION, e desenvolvido pela Oxford Nanopore Technologies, permite realizar a sequenciação genética das bactérias responsáveis pela infeção urinária através de uma amostra de urina. Este método, quatro vezes mais rápido do que a tradicional cultura bacteriológica, foi apresentado na conferência médica internacional ICAAC/ICC 2015, promovida pela Sociedade Americana para a Microbiologia e pela Sociedade Internacional de Quimioterapia.
 
As infeções do trato urinário (ITU) são um dos principais motivos para a receita de antibióticos. Embora a maioria dos casos de ITU afetem apenas o trato urinário inferior, os casos de alastramento da infeção para o trato urinário superior são os mais preocupantes e responsáveis por internamento hospitalar, especialmente entre a população idosa. Nas situações mais graves, a ITU poderá atingir a corrente sanguínea, dando origem a uma condição denominada urossépsis, que poderá ser fatal. Nesses casos, é urgente a utilização de antibiótico. Contudo, para saber o tipo de antibiótico indicado para cada caso é necessário realizar uma cultura bacteriológica em laboratório que demora dois dias. Como tal, os médicos vêm-se obrigados, numa primeira instância, a receitar antibióticos de largo espetro e, só depois de receberem os resultados do laboratório, ajustar a medicação ao tipo de bactéria.
 
“Isto significa que alguns pacientes são ‘sobretratados’, o que, é claro, contribui para o problema da resistência aos antibióticos. Mas também significa que um número crescente de pacientes com bactérias resistentes até a medicação de largo espetro são ‘subtratados’. Isto pode, por vezes, ser fatal”, alerta David Livermore, da UAE, em comunicado da universidade.
 
Para Livermore, esta abordagem representa uma má prática de administração de antibióticos que urge corrigir ou melhorar. Para este investigador, o caminho deverá ser no sentido de acelerar a investigação laboratorial, de forma a permitir um tratamento mais adequado e mais precoce, beneficiando, desta forma, não só o doente, que recebe o tipo de antibiótico mais eficaz, como a própria sociedade no global, permitindo uma melhor gestão do stock de antibióticos, que tem vindo a diminuir.
 
Para este estudo, os cientistas da UEA utilizaram o MinION para investigar ITU rapidamente sem recurso a cultural laboratorial.
 
“Descobrimos que este aparelho, que é do tamanho de uma pen USB, conseguia detetar bactérias em urina fortemente infetada – e realizar a sequenciação do ADN em apenas 12 horas. Isto é um quarto do tempo necessário para a microbiologia convencional”, revela Justin O’Grady, um dos autores do estudo.
 
“Tanto o tipo de bactéria como os genes resistentes adquiridos foram identificados com segurança, em sintonia com os perfis de resistência revelados pelos métodos de análise laboratorial convencionais”, acrescentou.
 
O investigador explica na nota emitida pela UAE que ainda há aspetos a melhorar, na medida em que este método apenas funciona para urina fortemente infetada e não consegue ainda prever as resistências provocadas por mutação (i.e. a alteração de genes existentes), apenas para a resistência provocada pela aquisição de genes.
 
Na opinião de O’Grady “é crucial ultrapassar isto [as limitações do aparelho], visto que a abordagem antiga de usar antibióticos de espetro cada vez mais abrangente já não é viável, dada a falta de novos fármacos e a crescente diversidade e complexidade de bactérias resistentes a antibióticos”.
 
Contudo, este cientista espera que, com novos desenvolvimentos tecnológicos, que ocorrem rapidamente, as limitações deste aparelho possam em breve ser ultrapassadas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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