Tecnologia pode ajudar a resolver o problema da fome do mundo

Peritos reunidos em Viena apelam às técnicas modernas

06 dezembro 2002
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Peritos sublinharam em Viena a necessidade de recorrer às modernas tecnologias para resolver os problemas da fome no mundo.
 

 

Os especialistas falavam num simpósio organizado por iniciativa do Chile sobre o papel da ciência na resolução dos problemas da alimentação mundial.
 

 

O embaixador do Chile para as Organizações Internacionais, Raimundo Gonzalez, afirmou que o desafio está em encontrar tecnologias adequadas para abolir a fome no mundo, um esforço a que milhares de pessoas têm direito.
 

 

A reunião, da responsabilidade da Organização das Nações
 

Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) e do Instituto Internacional de Análise de Aplicação de Sistemas (IIASA), de Laxenburg (próximo de Viena), integra as contribuições de especialistas em microbiologia, edafologia (estudo dos solos), tecnologia nuclear, economistas e especialistas em direitos humanos.
 

 

Os cientistas debatem-se actualmente com problemas como as alterações climáticas globais e as suas consequências para a produção alimentar mundial, embora também tenham de considerar os riscos implicados nas novas tecnologias.
 

 

"As profundas mudanças sociais fazem aumentar a insegurança geral e contribuem para a violência e criminalidade", advertiu o especialista da IIASA Mahendra Shad, que alertou para as estruturas injustas do sistema económico mundial.
 

 

Mais de 800 milhões de pessoas enfrentam a fome diariamente e, a cada minuto, 15 crianças e 15 adultos morrem de fome, desgraça que não deve ser aceite como algo de inevitável, acrescentou Shah.
 

 

Grande parte da investigação biotecnológica relevante encontra-se nas mãos de empresas privadas de países industrializados que se centram nos problemas específicos da sua região, enquanto que nos países em desenvolvimento apenas poucos (como Brasil, Chile, China, Egipto e Índia) realizam trabalho de investigação dedicado a estas questões.
 

 

Segundo Shah, a ciência é capaz de combater a contaminação do solo, a seca e as pragas de insectos e dispõe de soluções para aumentar a quantidade de substâncias nutritivas nos alimentos.
 

 

Nesse sentido, o especialista exemplificou que se pode acrescentar vitamina A ao arroz, para combater a cegueira, problema que afecta 8 milhões de pessoas todos os anos, impedir a morte anual de 2 milhões de crianças com diarreia e sarampo, e minorar a anemia, que afecta 30 por cento da população mundial.
 

 

Se a ciência constitui o instrumento decisivo para poder garantir uma alimentação abundante e saudável para a população mundial, gera também um novo problema, que é o de saber se será distribuída de forma igualitária.
 

 

Por exemplo, cerca de metade da população dos Estados Unidos e um terço da União Europeia têm acesso à Internet, enquanto que esse valor representa menos de 0,5 por cento dos habitantes de África e Ásia.
 

 

Segundo um estudo do IIASA sobre as alterações do clima e as suas consequências nas culturas, as zonas áridas e semi-áridas vão crescer cerca de dez por cento nos países de África e América Latina.
 

 

O potencial de produção agrária na América do Norte e parte da Europa crescerá, ao mesmo tempo que 40 países que figuram entre os mais pobres perderão um quinto da sua produção agrícola devido a este problema.
 

O efeito de estufa, gerado em grande parte pelos países industrializados, tenderá a prejudicar mais as nações pobres, refere o relatório.
 

 

Um especialista austríaco em solos, Josef Gloessl, sublinhou que apenas a genética poderá resolver alguns destes problemas, como, por exemplo, o dos fungos, que destroem 25 por cento da produção mundial de cereais.
 

 

Fonte: Lusa
 

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