Técnicas de reprodução assistida completam 25 anos
21 junho 2002
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As Técnicas de Reprodução Assistida estão prestes a completar 25 anos, mas os efeitos indesejados que por vezes as acompanham só agora começam a ser compreendidos, segundo um estudo científico publicado pela revista Science.
 

 

Calcula-se que entre 35 e 70 milhões de casais com problemas de fertilidade tenham recorrido a estas técnicas para conseguir ter um filho, desde que em 1978 nasceu em Inglaterra Louise Brown, conhecida como a primeira "bebé proveta".
 

 

Desde então, cerca de um milhão de crianças nasceu em todo o mundo graças à manipulação em laboratório do óvulo feminino ou dos espermatozóides.
 

 

Os nascimentos múltiplos, o envelhecimento dos óvulos e os danos que sofrem os espermatozóides na manipulação com estas técnicas são os três problemas principais que acompanham as ART, sigla em inglês que designa as técnicas de reprodução assistida.
 

 

Richard Schulz e Carmen Williams, do departamento de Biologia da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, reconhecem que estas técnicas avançam com passos de gigante, e, em alguns casos, mais depressa do que as ciências que as sustentam.
 

 

Para ambos os investigadores, que realizaram uma análise do estado actual destas técnicas, as melhorias que se sentem neste campo provêm sobretudo de dois procedimentos: a microinjecção directa de esperma no óvulo e o cultivo de embriões antes da sua implantação no útero.
 

 

Na concepção natural, milhões de espermatozóides travam uma dura luta para chegar ao núcleo do óvulo mas apenas um, o mais apto, o consegue.
 

 

Na reprodução assistida, são os cientistas que seleccionam, através do microscópio, que espermatozóides estão destinados a dar vida ao novo ser, com o que se evita os problema mais comuns da infertilidade masculina, o baixo número e a falta de mobilidade dos espermatozóides.
 

 

Este método, denominado Injecção Intracitoplasmática de Esperma (ICSI, sigla em inglês), é utilizado entre 60 e 80 por cento de todas as intervenções de reprodução assistida.
 

 

Schultz e Williams afirmam que "a principal preocupação com o método ICSI é que dispensa praticamente todos os mecanismos de selecção natural que encontram os espermatozóides no percurso de uma concepção natural", o que provoca efeitos que ainda não são suficientemente conhecidos.
 

 

Além disso, existe o risco de danificar o esperma durante as manipulações.
 

 

"O maior dilema nas técnicas de fertilização in vitro, contudo, é a possibilidade de gravidezes múltiplas", assinalam os autores desta análise.
 

 

Durante os tratamentos ART geram-se múltiplos embriões com o objectivo de aumentar as possibilidades de êxito na reprodução assistida e, como resultado, mais de 50 por cento das crianças nascidas por estes procedimentos resultam de gravidezes múltiplas.
 

 

Uma técnica, denominada SET (iniciais em inglês de Transferência Singular do Embrião), deveria resolver estes problemas, segundo os autores do estudo.
 

 

Além dos problemas inerentes aos procedimentos, as ART têm que lidar também com a polémica (ética) que envolve a clonagem reprodutiva e a que afecta o Diagnóstico de Pré-implantação Genética, que utiliza técnicas de manipulação genética para seleccionar embriões livres de determinadas doenças.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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