Técnica japonesa pode salvar fertilidade de crianças com cancro

Inovação foi testada apenas em ratinhos

31 julho 2002
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Investigadores japoneses retiraram ovários de fetos de ratos e desenvolveram os óvulos em tubo de ensaio, uma técnica que poderá servir para salvaguardar a fertilidade de crianças e jovens que efectuam tratamentos contra o cancro.
 

 

Os cientistas removeram o material genético dos óvulos imaturos e transferiram-no para óvulos já maturados. Estes foram depois fertilizados e os embriões inseridos no útero de mães de aluguer.
 

 

Dos 64 embriões, nasceram 16 ratinhos (25 por cento) de sete ratos adultos. Nenhum dos descendentes apresentava quaisquer anomalias e todos eram férteis, revelou o estudo que vai ser publicado na edição de quinta-feira da revista científica Nature.
 

 

Embora a técnica nunca tenha sido testada em humanos, o autor do estudo afirma que poderá funcionar, uma vez que as fêmeas da classe dos mamíferos nascem com um fornecimento completo de óvulos e já existe a possibilidade de os congelar para uma utilização posterior.
 

 

"Esta técnica seria particularmente útil para as crianças com cancro, já que não possuem óvulos completamente maduros", explicou Issue Hatada, do Centro de Investigação Genética da Universidade de Gunma (Japão).
 

 

Danos
 

 

Os danos no sistema reprodutivo não são tão comuns em crianças como em adultos com cancro. No entanto, a ocorrência deste tipo de problemas aumenta quando as crianças são submetidas a certos tipos de quimioterapia ou tratamento por radiações em casos de transplante de medula ou cancro do ovário.
 

 

No entanto, o teste desta técnica em humanos pode levantar questões éticas e legais, já que se trata de um procedimento semelhante ao da clonagem, embora o embrião resultante não seja uma cópia exacta de um dos pais.
 

 

A técnica japonesa começou com a remoção dos ovários de fetos de ratos que foram depois colocados em tubos de ensaio.
 

 

Os óvulos imaturos foram isolados e cultivados durante 28 dias. O material nuclear do ADN (ácido desoxirribonucleico) foi então removido destes óvulos e transferido para óvulos maduros, depois fertilizados e introduzidos nas mães de aluguer.
 

 

O autor da pesquisa sublinhou ainda que a técnica pode ajudar também a salvar espécies em perigo, introduzindo óvulos em animais da mesma família.
 

 

Fonte: Lusa
 

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