Tecido cicatricial glial pode reparar danos na espinal medula

Estudo publicado na revista “Nature”

05 abril 2016
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Há muito que se pensava que o tecido cicatricial formado por células glias, que rodeiam os neurónios no sistema nervoso central, impedia as células nervosas danificadas de voltarem a crescer após um dano no cérebro e na espinal medula. No entanto, o estudo publicado na revista “Nature” sugere que o tecido cicatricial glial pode, na realidade, favorecer a regeneração das células nervosas, podendo conduzir a novas abordagens para reparar lesões da medula espinal.
 
“Ao longo de 20 anos, utilizámos tecnologias para impedir a cicatrização glial na esperança de promover a regeneração, reparação e recuperação das fibras nervosas, mas nunca observámos um efeito positivo. Agora constatamos que a interrupção das cicatrizes gliais prejudica a regeneração das fibras nervosas que pode ser estimulada por fatores de crescimento”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, David Geffen.
 
A medula espinal é um cabo grosso com projeções nervosas chamadas de axónios que vão desde o cérebro para os músculos ativados e de órgãos sensoriais de volta para o cérebro. Ao contrário dos nervos periféricos, onde os axónios crescem quando são danificados, nos neurónios espinais os axónios onde ocorreu uma lesão não voltam a crescer, o que resulta numa paralisia abaixo da lesão.
 
A comunidade científica acreditava que o principal obstáculo da recuperação era o tecido cicatricial formado por um tipo de células gliais conhecidas por astrócitos. De forma a tentar perceber se a remoção do tecido cicatricial poderia conduzir à regeneração dos nervos, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, avaliaram esta questão em dois tipos de ratinhos. Um no qual genes específicos podiam ser ativados para impedir a formação de cicatrizes e outro com genes capazes de “dissolver” as cicatrizes após estas serem formadas.   
 
Através de técnicas de imagem, os investigadores analisaram os axónios que se aproximavam ou atravessavam um local de lesão, no caso de a cicatriz ser bloqueada ou destruída. Verificou-se que em nenhum dos casos houve um crescimento dos axónios no local da lesão.
 
O estudo também revelou o papel benéfico das cicatrizes gliais numa experiência em que a regeneração de neurónios lesionados foi estimulada. Em ratinhos controlo e geneticamente modificados, os fatores de crescimento neurotrófico foram infundidos no local da lesão da medula ao mesmo tempo que foram aplicadas lesões adicionais conhecidas por estimular a regeneração do nervo.
 
Para surpresa dos investigadores verificou-se que, nos ratinhos controlo, esta abordagem estimulou o recrescimento de axónios da espinal medula no local do dano. Por outro lado, nos ratinhos geneticamente modificados para eliminarem as cicatrizes, a regeneração nervosa foi altamente reduzida e em alguns dos casos nem ocorreu de todo. 
 
Um dos coautores do estudo, Joshua Burda, conclui que estes resultados podem alterar o foco de tentar diminuir a atividade dos astrócitos, particularmente na formação de cicatrizes, para os explorar no contexto da promoção da regeneração.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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