Tatuagens e pírcingues: Falta de legislação em Portugal

Estudo da DECO

27 julho 2011
  |  Partilhar:

Portugal não tem legislação sobre tatuagens e pírcingues, cabendo ao bom senso dos profissionais falar sobre os riscos, os cuidados e as contra-indicações para a saúde, uma prática que, segundo a DECO, não é seguida no país.

 

A associação portuguesa para a defesa dos consumidores fez 46 visitas, durante os meses de Fevereiro e Março, a 29 estabelecimentos que exercem a actividade de realização de tatuagens e/ou pírcingues nas áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto para concluir que houve poucas melhoras desde o último estudo realizado em 2005.

 

“O presente estudo mostra maior consciência por parte dos profissionais, que melhoraram na indicação dos possíveis riscos para a saúde (…). Porém continuam a manifestar falta de interesse generalizada em apurar se o estado de saúde do cliente é adequado para enfeitar o corpo”, lê-se no artigo da DECO, que vai ser publicado na próxima edição da revista “Teste Saúde”.

 

Segundo a DECO, nenhum dos profissionais contactados quis saber o estado de saúde do cliente, apenas 18 indicaram bons cuidados de cicatrização e oito tatuadores afirmaram que o processo é indolor ou fugiram à questão.

 

A associação lembra que “quem sofre de doenças de pele, como a psoríase, alergias a pigmentos de tinta, ao metal das agulhas ou ao níquel dos brincos não deve fazer nenhuma das intervenções”, enquanto as “tatuagens estão interditas a hemofílicos e epilépticos”.
“A informação sobre estas contra-indicações é essencial para a segurança dos clientes, mas os nossos colaboradores não as ouviram em nenhum local visitado. Os profissionais não manifestaram a mínima preocupação em conhecer o estado de saúde dos clientes”, denuncia a DECO, que lembra também que os riscos podem ir de infecções cutâneas a alergias ou até à contaminação por VIH/SIDA e hepatites B e C.

 

A apreciação global aos 22 centros de pírcingues, entre 12 na Grande Lisboa e 10 no Grande Porto, oscila entre médio e medíocre e todos receberam a classificação “mau” em matéria de questões sobre o estado de saúde, enquanto nos riscos para a saúde só um estabelecimento obteve “muito bom”, bem como nos cuidados com a cicatrização.

 

Nos 24 centros de tatuagens, 12 na Grande Lisboa e 12 no Grande Porto, a apreciação global também oscila entre o médio e o medíocre e também aqui todos tiveram avaliação negativa nas questões sobre o estado de saúde do cliente. Nos riscos para a saúde nenhum estabelecimento teve avaliação superior a médio. Nos cuidados com a cicatrização, há três estabelecimentos com avaliação “muito bom”, mas a maioria (10) tem avaliação “médio”.

 

A DECO sublinha que “é o bom senso dos profissionais que determina a informação a fornecer aos clientes” e defende que “é preciso definir padrões de qualidade para todos”, exigindo, por isso, legislação e fiscalização que salvaguarde os direitos dos consumidores.
 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 3
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.