Tatuagem mamária reconstrutiva promove autoestima

Clientes são mulheres vítimas de cancro da mama

08 março 2017
  |  Partilhar:
Um projeto de tatuagem mamária reconstrutiva, nascido há um ano em Matosinhos, distrito do Porto, beneficiou já quase meia centena de mulheres vítimas de cancro da mama, avançou a agência Lusa.
 
"Neste quase um ano de projeto já assisti praticamente 50 mulheres", afirmou o tatuador Sérgio Carvalho, responsável pela iniciativa, que sublinhou o contributo dessas intervenções para que as mulheres em causa recuperassem a autoestima.
 
O tatuador, que conta com a colaboração neste projeto da enfermeira Ana Lopes, explicou que uma parte do seu trabalho consiste na pigmentação da aréola mamária.
 
“Nem sempre a aréola e mamilo são preservados na mastectomia. De forma geral, o mamilo é reconstruído com pele do próprio local e a aréola com enxerto de pele da região inguinal. A pigmentação da aréola é feita com ajuda da tatuagem. A tatuagem é entendida como a finalização do processo e melhoramento da autoestima, trazendo à mama a beleza original”, sustentou.
 
O tatuador referiu que a iniciativa arrancou depois da visita de uma médica do Instituto Português de Oncologia à sua loja para "verificar a qualidade do trabalho e a forma limpa como é feito". Ao longo de uma carreira de mais de 20 anos, Sérgio Carvalho fez "uma média de quatro tatuagens mamárias reconstrutivas por ano". A partir do momento em que houve o interesse dos médicos "a procura duplicou".
 
Cada tatuagem mamária reconstrutiva custa 100 euros. Sérgio Carvalho defende que esse custo deveria ser “assumido pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS)", na medida em que “vai beneficiar e muito a autoestima das mulheres".
Na sua loja em Matosinhos, a Wildbuddhatattoo, Sérgio Carvalho já atende mulheres para a tatuagem mamária de “várias partes do país”, referindo que aguarda "pela criação de um grupo de senhoras em Lisboa para, muito em breve, ir tatuá-las na capital".
 
Segundo o tatuador, grande parte das mulheres que chegam à sua loja para tatuagem areolo-mamilar, fazem-no "por indicação médica". Sérgio Carvalho explicou que espera “sempre seis meses após a cirurgia para tatuar, evitando o risco de surgirem infeções, tal como aconselham os médicos".
 
O tatuador alertou para o facto de “não haver retorno” numa tatuagem, referindo ter sido, “pelo menos em duas ocasiões, confrontado por mulheres que chegaram tristes pela tatuagem de reconstrução feita noutro lado, em situações em que pouco já se podia fazer". Por isso, apela a que as mulheres se informem e procurem locais qualificados para a realização deste trabalho.
 
Sérgio Carvalho conta que é gratificante ver o "sorriso da mulher”, quando se olha ao espelho após a tatuagem reconstrutiva.
"Ainda hoje tenho quem passe aqui só para me entregar um chocolate, um mimo, como forma de agradecimento. Contam-me que voltaram à normalidade com o marido”, disse.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar