Tango faz bem ao coração

Cientistas argentinos dizem que dançar é o melhor remédio...

27 fevereiro 2003
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Dançar faz bem à saúde. Isso é do senso comum. Mas, dançar tango pode mesmo ser uma boa maneira de prevenir doenças cardíacas, segundo a conclusão de um estudo feito por cientistas argentinos da Fundação Favarolo.
 

 

A sugestão para realização da investigação foi lançada por um casal de bailarinos Hector Mayoral e Elsa Maria – os mais famosos «tangueiros» da Argentina.
 

 

Durante quase um ano, 11 homens e 11 mulheres, com corações perfeitos, dançaram ao som do tango argentino.
 

E, segundo o cardiologista Roberto Peidro, chefe do sector de Prevenção e Reabilitação Cardiovascular da Fundação Favarolo e autor do estudo, dançar tango ou milonga (ritmo mais acelerado) representa um exercício de intensidade leve ou moderada, ideais para a prevenção de doenças cardíacas. «Mas é preciso dançar regularmente para que actue como prevenção das doenças do coração», adverte o cientista.
 

 

Para o especialista, bailar 20 minutos de tango, por dia, corresponde a caminhar o mesmo período de tempo. «É um exercício que se pode fazer sem sair de casa e uma opção perfeita para se combater o sedentarismo», revela o cientista.
 

 

A Fundação Favarolo possui o nome do seu criador, Rene Favarolo, o médico que inventou as pontes cardio-vasculares, conhecidas como by-pass, nos anos sessenta.
 

 

Hoje, a Fundação é uma referência mundial para problemas cardíacos e é frequentemente consultada sobre casos que ocorrem em todo o mundo, como por exemplo na doença do antigo presidente da Rússia, Boris Yeltsin.
 

 

Para a realização do estudo, Roberto Peidro seleccionou homens e mulheres entre 48 e 60 anos de idade. Nenhum deles bailarino profissional.
 

 

A selecção foi feita a partir do controlo de consumo de oxigénio de cada um durante exercícios numa esteira eléctrica. Depois, os voluntários repetiram a prova, mas dançando tango.
 

 

Com a comparação dos electrocardiogramas, realizados aos participantes, o médico percebeu que dançar tango gera a frequência perfeita para se evitar doenças cardíacas. E explica: «O tango é um exercício que consome entre 50 e 60 por cento da capacidade aeróbica. Já outras danças mais aceleradas podem ser prejudiciais ao coração do sedentário».
 

 

Na primeira etapa do estudo, foram escolhidos «donos» de corações sem problemas. Em seguida, o médico e o casal de bailarinos profissionais percorreram os principais locais de tango da cidade. O objectivo era saber quais são as músicas e estilos mais usados actualmente nesta dança que nasceu proibida para as mulheres e começou, no fim do século XIX entre pares de homens, a maioria imigrantes.
 

 

Além de ser uma «arma» contra o sedentarismo, segundo o estudo, dançar tango pode evitar outras doenças como cancro e osteoporose. Hoje, na Argentina, lembrou o médico, entre 68 e 78 por cento da população é sedentária, de acordo com a Sociedade Argentina de Cardiologia.
 

 

De acordo com Roberto Peidro, já foram realizados estudos em todo o mundo sobre os efeitos positivos de diferentes danças, como, por exemplo, o jazz. Mas esta é a primeira vez que o tango é analisado como questão científica. «E temos a certeza de que ele também é útil para combater a depressão», argumentou o bailarino Mayoral que afirma ser dono de um coração saudável.
 

 

Mayoral, de 65 anos, é bailarino há 50, e já dançou com Hillary Clinton e Lady Di, entre tantas outras personalidades. E ao lado da mulher Elsa María já se apresentou, várias vezes, em países como Estados Unidos e Japão, entre outros. «O tango é emoção. Então é óbvio que só pode fazer bem ao coração», acrescentou.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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