Tabagismo passivo é cancerígeno

OMS conclui, pela primeira vez, os malefícios para não-fumadores

19 junho 2002
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou, em Londres, um relatório que conclui, pela primeira vez, que o tabagismo passivo causa cancro do pulmão e aumenta o risco de contrair outros tumores cancerígenos.
 

 

Ou seja, o tabagismo passivo (respirar num ambiente com fumo de tabaco) passa a partir de agora a ser oficialmente classificado como "cancerígeno para o homem".
 

 

O documento foi elaborado por especialistas da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), um organismo da OMS, que examinaram os estudos mais relevantes até agora publicados sobre esta matéria.
 

 

O grupo de trabalho, formado por 29 especialistas de 12 países, concluiu que o fumador passivo está exposto "aos mesmos agentes cancerígenos" que uma pessoa que fuma de forma voluntária.
 

 

"O fumo do tabaco que se inala passivamente no trabalho ou em casa é, definitivamente, uma causa de cancro do pulmão", assinalou Richard Doll, um dos cientistas da IARC, durante a apresentação do documento no Royal College of Physicians.
 

 

"Esta ideia já é discutida há algum tempo mas esta é a primeira vez que um grupo de cientistas independentes revê todas as provas disponíveis e afirma que não há duvida de que o fumar passivo causa cancro do pulmão", sublinhou.
 

 

 

Entre 20 a 30 por cento
 

 

Segundo os especialistas, as pessoas que não fumam mas aspiram o fumo de cigarros aumentam entre 20 e 30 por cento o risco de desenvolver cancro do pulmão.
 

 

Os cientistas não afastam a hipótese de que as crianças afectadas pelo fumo de pais fumadores possam correr um risco ainda maior de contrair um tumor cancerígeno em adultos, mas advertem que as provas são, por enquanto, inconsistentes.
 

 

A IARC sublinhou que o "tabagismo causa anualmente milhões de mortes por cancro e um número ainda maior de óbitos prematuros por doenças cardiovasculares e pulmonares".
 

 

Os cientistas calculam que metade dos chamados "fumadores persistentes" percam a vida devido a um qualquer problema relacionado com esse vício, sendo que 50 por cento dessas mortes ocorrem entre os 35 e os 69 anos de idade.
 

 

Neste contexto, o consumo de tabaco, segundo o relatório, apresenta-se como "o principal motivo dos cancros evitáveis em todo o mundo", calculando-se que 10 milhões de fumadores contraiam uma doença cancerígena anualmente.
 

 

O cancro do pulmão, o mais habitualmente relacionado com o tabagismo, distribui-se de forma semelhante entre os dois sexos em todos os países, mas os autores do relatório descobriram "uma epidemia emergente entre as mulheres dos países em vias de desenvolvimento".
 

 

Além do cancro do pulmão, o tabagismo pode estar ligado a outros tipos de cancro como o do estômago, fígado, rim ou cervical, segundo os especialistas.
 

 

Outra conclusão do documento é que não são só os cigarros os causadores de doenças, apontando outros tipos de tabaco (como os charutos e o cachimbo) como catalisadores de vários cancros.
 

 

Fonte: Lusa
 

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