Tabagismo materno: os efeitos a longo prazo

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

02 junho 2016
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A exposição precoce à nicotina pode desencadear alterações genéticas generalizadas que afetam a formação de ligações entre as células cerebrais muito tempo após o nascimento. O estudo publicado na revista “Nature Neuroscience” poderá explicar por que motivo o tabagismo materno tem sido associado a alterações de comportamento, como a perturbação de hiperatividade com défice de atenção, adição e distúrbios comportamentais.

Os investigadores da Universidade de Yale, nos EUA, constataram que a nicotina afeta um regulador-chave do empacotamento do ADN, o que, por sua vez, influencia a atividade de genes que têm um papel importante na formação e estabilização das sinapses entre as células cerebrais.
 

Marina Picciotto, uma das autoras do estudo, refere que quando este regulador é induzido nos ratinhos estes prestam atenção a estímulos que deveriam ignorar.
 

A incapacidade para se focar é uma característica da perturbação de hiperatividade com défice de atenção e outras doenças comportamentais que têm sido associadas ao tabagismo materno e exposição ao fumo em segunda mão. Contudo, até à data, ainda não se sabia de que forma a exposição precoce ao tabagismo poderia causar problemas comportamentais anos mais tarde.
 

O estudo apurou que os ratinhos expostos à nicotina nas fases iniciais de desenvolvimento apresentavam problemas comportamentais que mimetizavam os sintomas da perturbação de hiperatividade com défice de atenção.
 

Após terem realizado uma vasta análise genómica aos ratinhos expostos à nicotina, os investigadores verificaram a ocorrência de níveis mais elevados de um regulador-chave da metilação das histonas, um processo que controla a expressão de genes. Verificou-se que os genes essenciais para a criação das sinapses estavam altamente afetados.

 

O estudo apurou também que estas alterações genéticas foram mantidas nos ratinhos adultos. No entanto, quando o regulador-chave da metilação da histona foi inibido, os animais ficaram mais calmos e deixaram de responder a estímulos que deveriam ignorar. Quando a expressão deste regulador foi desencadeada em ratinhos que nunca tinham sido expostos à nicotina, os animais apresentaram um comportamento semelhante à perturbação de hiperatividade com défice de atenção
 

Os investigadores consideram ter encontrado um sinal que pode explicar os efeitos duradouros da nicotina na estrutura das células cerebrais e no comportamento. “Foi ainda mais intrigante encontrar um regulador da expressão genética que responde a um estímulo como o da nicotina e que pode alterar as sinapses e atividade cerebral durante o desenvolvimento”, concluiu Marina Picciotto.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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