Tabaco aumenta risco de insuficiência cardíaca

Estudo publicado na revista “Circulation: Cardiovascular Imaging”

16 setembro 2016
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O tabagismo está associado ao espessamento das artérias do coração e à redução da capacidade deste órgão bombear sangue, dois fatores associados ao aumento do risco de insuficiência cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “Circulation: Cardiovascular Imaging”.
 
Há muito que se sabe que o tabaco conduz a um aumento do risco de insuficiência cardíaca, mesmo nos indivíduos sem doença cardiovascular. Contudo, até à data ainda não se sabia qual o mecanismo através do qual o tabaco danifica o coração e causa eventos cardiovasculares. 
 
Alguns cientistas têm encontrado uma associação entre o tabagismo e o aumento da massa do ventrículo esquerdo do coração. Este ventrículo é particularmente importante no âmbito da investigação sobre os efeitos do tabagismo, uma vez que o ventrículo esquerdo desempenha um papel essencial no sistema de bombeamento do coração. A parede do ventrículo esquerdo é constituída maioritariamente por músculo e como qualquer músculo aumenta de tamanho quando é alvo de esforço.
 
Existem determinados fatores, como a pressão arterial elevada, que podem aumentar o esforço do coração e, consequentemente, a espessura da parede do ventrículo esquerdo, uma condição conhecida por hipertrofia ventricular esquerda. Esta condição conduz habitualmente à perda da função cardíaca, que pode conduzir a complicações, como a interrupção do fornecimento do sangue para o coração, arritmia e acidente vascular cerebral.
 
De forma a tentar elucidar acerca desta temática, os investigadores do Hospital Brigham and Women's, nos EUA, analisaram os dados de 4.580 indivíduos com uma média de 75,5 anos, sem nenhum sinal óbvio de doença cardiovascular. Do total dos participantes, 287 eram fumadores, 2.316 eram ex-fumadores e 1.977 nunca tinham fumado.
 
Todos os participantes foram submetidos a um ecocardiograma. Após terem tido em conta fatores como idade, índice de massa corporal, diabetes, pressão arterial e consumo de álcool, os investigadores verificaram que a parede do ventrículo esquerdo dos fumadores era significativamente mais espessa do que a dos não fumadores ou ex-fumadores.  
 
Na opinião de Wilson Nadruz, líder do estudo, estes resultados sugerem que o tabaco pode conduzir, de uma forma independente, ao espessamento do coração e agravar a função cardíaca, o que pode conduzir a um maior risco de insuficiência cardíaca, mesmo em indivíduos sem enfartes agudos do miocárdio. 
 
O estudo demonstra que há uma associação clara entre a quantidade de tabaco consumido, a dimensão da parede do ventrículo esquerdo e a redução da função de bombeamento. Verificou-se que quanto mais os participantes fumavam maior eram os danos observados na estrutura e função.
 
“A boa notícia é que os ex-fumadores tinham uma estrutura e função do coração semelhantes aos indivíduos que nunca tinham fumado. Isto sugere que os potenciais efeitos do tabaco no miocárdio podem ser revertidos após a cessação tabágica”, conclui um dos autores do estudo, Scott Solomon.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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