Tabaco aquecido pode prejudicar gravemente a saúde

Alerta de 12 sociedades científicas e organizações de saúde portuguesas

05 abril 2019
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Doze sociedades científicas e organizações de saúde portuguesas manifestaram-se preocupadas com as alegações da indústria sobre o risco reduzido dos dispositivos de tabaco aquecido e alertaram que os riscos para a saúde são graves.
 
Num documento conjunto, ao qual a agência Lusa teve acesso, as organizações manifestam-se “fortemente preocupadas” com o surgimento de novos produtos de tabaco e lembram que estes “produzem aerossóis com nicotina e outros químicos”.
 
“Não devemos permitir que o debate em torno dos novos produtos do tabaco nos distraia do principal objetivo em questão – promover medidas regulatórias que sabemos serem eficazes na redução do tabagismo e continuar a apoiar aqueles que desejem parar de fumar”, escrevem.
 
No documento, as organizações dizem não recomendar a utilização de produtos de tabaco aquecido, alertam para os seus riscos e defendem: “a melhor forma de salvaguardar a saúde humana é a prevenção da iniciação de qualquer forma de consumo e o apoio médico para cessação tabágica”.
 
“Os PTA [Produtos de Tabaco Aquecido] contêm nicotina, substância altamente aditiva que existe no tabaco, causando dependência nos seus utilizadores, para além de estarem presentes outros produtos adicionados que não existem no tabaco e que são frequentemente aromatizados”, alertam.
 
As doze sociedades científicas e organizações de saúde recordam que estes produtos são também “uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos” e dizem que a experimentação e o uso de cigarros eletrónicos e outros produtos de tabaco pelos adolescentes e jovens “está a sofrer um crescimento exponencial”.
 
“Assim, afirmar que os PTA contêm menos tóxicos não significa que se reduza o risco de doença”, insistem.
 
Dizem ainda que a indústria do tabaco “afirma que há uma redução de 90-95% na quantidade de substâncias nocivas e na toxicidade dos PTA” e defendem que grande parte destas alegações se baseia “em estudos publicados pela própria indústria, com conflitos de interesse evidentes”.
 
“Foram encontradas substâncias nocivas em altas concentrações nos seus estudos, como material particulado, alcatrão, acetaldeído, acrilamida e um metabolito da acroleína”, explicam, acrescentando que alguns estudos independentes encontraram concentrações mais elevadas de formaldeído em produtos de tabaco aquecido do que em cigarros convencionais.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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