Suscetibilidade dos bebés às constipações associada à resposta imune à nascença

Estudo publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology”

24 maio 2012
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A suscetibilidade dos bebés às constipações está associada com a sua resposta imunológica à nascença, sugere um estudo publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology”.

 

As infeções respiratórias virais são comuns durante a infância. Este tipo de infeção pode provocar desde os sintomas típicos das constipações até a infeções pulmonares mais severas e mesmo, em algumas circunstâncias podem conduzir à morte”, revelou em comunicado de imprensa a primeira autora do estudo, Kaharu Sumino.

 

Neste estudo os investigadores da Washington University School of Medicine, nos EUA, decidiram investigar se a resposta imune inata, ou seja a resposta com que cada indivíduo nasce para combater os vírus e outros agentes patogénicos, afetava o risco das crianças, no seu primeiro ano de vida, serem afetadas por infeções respiratórias.

 

Os investigadores contaram assim com a participação de 82 bebés, os quais tinham tido, em média, quatro constipações no primeiro ano de vida, sendo que 88% tiveram pelo menos uma constipação. Contudo, foi verificado que o número de constipações variava muito, enquanto algumas crianças tinham tido apenas uma constipação outras tinham tido nove ou dez.

 

De forma a medir a resposta imune inata dos bebés, os autores do estudo retiraram, à nascença, amostras de sangue do cordão umbilical e isolaram um tipo específico de glóbulos brancos, os monócitos, que foram posteriormente infetados com um vírus respiratório comum. Seguidamente foi medida a quantidade de uma proteína, o IFN-gama, produzida pelos monócitos. O IFN-gama é produzido por algumas células do sistema imunológico em resposta a uma infeção, sendo considerada uma importante arma do hospedeiro, pois ajuda a combater as infeções provocadas pelos vírus, impedindo a sua replicação.

 

O estudo apurou que bebés cujos monócitos produziram grandes quantidades de IFN-gama tinham tido menos constipações, ao contrário daqueles que tinham produzido pequenas quantidades desta proteína. Os investigadores também constataram que os bebés cujos monócitos tinham produzido menores quantidades de IFN-gama tinham sofrido mais otites, pneumonias, assim como tinham sido internados mais vezes devido a infeções respiratórias, no primeiro ano de vida.

 

Os resultados deste estudo, assim como de outros realizados em ratinhos e em células humanas, vêm apoiar a tese de que a sinalização via o IFN-gama pode ajudar a proteger contra as infeções virais. Os investigadores estão atualmente a desenvolver fármacos nesta área. O líder do estudo, Michael J. Holtzman, explicou que ao contrário das vacinas que protegem contra um vírus específico, os fármacos capazes de aumentar a imunidade inata poderão ajudar a combater uma grande variedade de vírus, incluindo aqueles envolvidos nas gripes sazonais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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