Suscetibilidade à malária depende de metabolismo do hospedeiro do parasita

Estudo publicado na revista “Nature Microbiology”

28 setembro 2017
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Um novo estudo demonstrou que a suscetibilidade à malária depende do metabolismo do organismo-hospedeiro do parasita que causa a infeção.
 
Segundo apurou a agência Lusa, o estudo de uma equipa coordenada por Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular (iMM), concluiu que uma dieta rica em gorduras altera o estado metabólico, aumentando o chamado stress oxidativo, que trava a progressão da infeção.
 
A descoberta, segundo a primeira autora do artigo, Vanessa Zuzarte Luís, poderá ajudar a perceber por que pessoas com anemia falciforme, uma doença genética do sangue caracterizada por níveis elevados de stress oxidativo das células e com forte prevalência em África, onde a malária é endémica, estão protegidas contra a infeção.
 
A investigadora adiantou que as conclusões podem vir a explicar também por que a tribo nómada africana “fulani”, que tem uma alimentação rica em gorduras saturadas, que inclui leite, banha e óleo de palma, é resistente à malária.
 
Segundo Vanessa Zuzarte Luís, se se compreender estes dois grupos populacionais - um com uma doença genética do sangue e outro com uma dieta alimentar rica em gorduras que, em ambos os casos, provocam alterações metabólicas que barram a infeção pelo parasita da malária - "talvez se consiga usar esse mecanismo para proteger todas as outras" pessoas da doença, antes de o parasita se multiplicar, contaminar o sangue e surgirem sintomas, isto é, quando ainda está alojado no fígado.
 
No estudo, a alteração metabólica produzida nos ratinhos foi "muito rápida e transitória". Quando os roedores regressaram aos hábitos alimentares antigos, menos ricos em gorduras, passaram "a ser suscetíveis à infeção da malária".
 
Na experiência, a equipa constatou que, ao fim de quatro dias, os ratinhos infetados com o parasita “Plasmodium berghei” (o parasita da malária dos roedores), e sujeitos a uma dieta rica em gorduras, tinham uma carga parasitária menor no fígado, quando comparados com outros roedores de um grupo de controlo.
 
"Cerca de 90% dos parasitas foram eliminados no fígado" ao fim desse tempo, assinalou Vanessa Zuzarte Luís.
 
A investigadora adiantou que 30% dos animais "não desenvolveram infeção sanguínea" e os restantes, apesar de a infeção atingir os glóbulos vermelhos, "não sofreram da doença na forma mais severa" porque "têm menos carga parasitária no sangue", dado que possuem "menos carga parasitária no fígado".
 
Num passo seguinte, a equipa científica mimetizou a dieta alimentar rica em gorduras, e o mecanismo metabólico, numa droga injetada em culturas de células de fígado humano infetadas com o parasita da malária dos roedores. No final, o parasita não sobreviveu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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