Surdos: novas abordagens ao tratamento de lesões cerebrais

Estudo liderado pela Universidade de Coimbra

09 setembro 2015
  |  Partilhar:
O cérebro dos surdos congénitos pode modificar-se, alojando no córtex auditivo propriedades visuais. O estudo liderado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) sugere novas abordagens ao tratamento de lesões cerebrais e o desenvolvimento de implantes cocleares mais eficazes.
 
“Os surdos congénitos apresentam uma grande neuroplasticidade (capacidade de o cérebro se modificar) de longo prazo, fazendo com que o seu córtex auditivo aloje propriedades visuais típicas do córtex visual”, revelou a UC em comunicado ao qual a agência Lusa teve acesso.
 
Liderado pelo investigador Jorge Almeida, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC, o estudo vai ser publicado na “Psychological Science”, “revista internacional de referência na área da psicologia”, acrescenta a mesma nota.
 
Os resultados deste estudo poderão ser determinantes para “explorar novas abordagens terapêuticas para tratar lesões cerebrais e doenças neurodegenerativas baseadas na neuroplasticidade, e serão centrais para o desenvolvimento de novas gerações de implantes cocleares mais eficazes”, referiu o líder do estudo, Jorge Almeida.
 
Isto, porque, na opinião do investigador, “os atuais dispositivos estão pensados para explorar a organização típica do córtex auditivo, mas o estudo provou alterações na estrutura”, passando o córtex auditivo a deter informação relativa à visão.
 
“Será, assim, necessário repensar a conceção dos implantes cocleares de modo a que estes explorem também a nova organização cerebral”, diz Jorge Almeida.
 
O estudo, desenvolvido durante os últimos quatro anos, envolveu um grupo de surdos congénitos e um grupo de normouvintes (pessoas sem surdez) chineses.
 
“Para perceber os mecanismos de receção e reação do córtex auditivo, ambos os grupos foram sujeitos a diferentes estímulos visuais durante a realização de uma ressonância magnética, tendo os investigadores verificado que, no caso dos surdos, o córtex auditivo herda o tipo de processos e potencialmente organização que vemos no córtex visual dos normouvintes”, refere a UC.
 
Estas modificações neuroplásticas “deverão ser responsáveis pela perceção visual periférica superior normalmente apresentada por surdos congénitos. Entender os mecanismos que “o sistema nervoso central dispõe para se “reprogramar”, modificando o funcionamento do cérebro, é essencial para o desenvolvimento de modelos que expliquem o fenómeno de neuroplasticidade a longo prazo”, conclui Jorge Almeida.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.