Suplementos de óleo de peixe não previnem arritmia cardíaca

Estudo conduzido pela Fundação GESICA, Argentina

27 dezembro 2012
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Alguns estudos tinham sugerido que os ácidos gordos ómega 3, presentes no óleo de peixe, podiam ajudar a prevenir a arritmia cardíaca, ou fibrilhação atrial ou auricular. No entanto, um novo estudo realizado pela Fundação GESICA, em Buenos Aires, Argentina, sugere que estes suplementos não têm um impacto significativo sobre a doença após o surgimento da mesma.

 

Publicado na “Journal of the American College of Cardiology”, o estudo teve por base o acompanhamento, durante um ano, de 500 pacientes com fibrilhação atrial. Os participantes receberam durante esse período, de forma aleatória, um suplemento de óleo de peixe ou um placebo, tendo os investigadores procedido à observação da incidência de episódios de fibrilhação atrial.

 

A fibrilhação atrial é um problema cardíaco comum que é normalmente controlado através de medicação, sendo por vezes necessária intervenção cirúrgica. O acidente vascular cerebral (AVC) constitui o principal risco apresentado por esta doença, podendo resultar da formação de coágulos causados pela arritmia cardíaca.

 

Os investigadores não observaram diferenças significativas no número de ocorrências de episódios de fibrilhação atrial entre os dois grupos, com episódios registados em 24 % dos participantes que tinham tomado o suplemento e em apenas 19% dos participantes a quem tinha sido oferecido o placebo.

 

Da mesma forma, não se registaram grandes diferenças entre ambos os grupos nas ocorrências de morte, AVC, enfarte agudo de miocárdio e de insuficiência cardíaca.

 

Alejandro Machia, investigador líder neste estudo sustenta que “os ácidos gordos ómega 3 não desempenham qualquer papel na prevenção da fibrilhação atrial em pacientes que tenham tido fibrilhação atrial anteriormente. No entanto, estes resultados não afastam a possibilidade de estes agentes poderem desempenhar um papel na prevenção da fibrilhação atrial”.

 

Muitos medicamentos para a arritmia cardíaca têm uma eficácia limitada e efeitos secundários desagradáveis. “Havia esperança que os suplementos com ácidos gordos ómega 3 (óleo de peixe) exercessem efeitos antiarrítmicos e alguns ensaios clínicos sugeriram que era esse o caso”, afirmou Gregg Fonarow, professor de cardiologia na University of California, Los Angeles, EUA.

 

"No entanto, com base neste e noutros estudos recentes, os suplementos com ácidos gordos ómega 3, apesar de seguros, não parecem oferecer benefícios clínicos relevantes como agente antiarrítmico”, continuou.

 

No entanto, os especialistas aconselham que os pacientes que já tomam estes suplementos por outras razões, tal como prevenção de enfarte agudo de miocárdio recorrente ou para baixar os níveis de triglicerídeos, devem continuar a fazê-lo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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