Sumo de arando pode ajudar a impedir infeções bacterianas

Estudo publicado na revista “Food & Function”

22 julho 2016
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Investigadores americanos descobriram compostos no sumo de arando que ajudam a impedir infeções bacterianas, dá conta um estudo publicado na revista “Food & Function”.
 

Para causar infeção, as bactérias têm de aderir ao hospedeiro e acumularem-se em número suficiente para formar um biofilme. Neste estudo, os investigadores do Instituto Politécnico de Worcester e da Universidade de Massachusetts Dartmouth, nos EUA, constataram que um tipo de compostos presentes no sumo de arando, denominados flavonóis, reduzem bastante a capacidade da Escherichia coli (E. coli) em aderir a uma superfície. Várias estirpes de E. coli são responsáveis por muitos tipos de infeções, incluindo aquelas que afetam o trato urinário.
 

Estudos anteriores, levados a cabo pela mesma equipa de investigadores, já tinham demonstrado que compostos conhecidos por proantocianidinas (PAC, sigla em inglês) parecem desempenhar um papel importante na capacidade do sumo de arandos em bloquear a aderência bacteriana.
 

Neste novo estudo, os investigadores, liderados por Terri Camesano, utilizaram técnicas químicas avançadas para separar ou fracionar os constituintes químicos do sumo de arando, tendo procedido também à sua caracterização. Posteriormente a E. coli foi cultivada na presença de amostras do sumo fracionado e a capacidade de a bactéria aderir a uma superfície foi avaliada através de um microscópico de força atómica.
 

Após a primeira ronda de testes, as amostras que apresentaram uma maior capacidade de reduzir a aderência da E. coli foram novamente fracionadas e testadas. Este processo foi repetido várias vezes de forma a reduzir o número de compostos em cada amostra. Verificou-se que os favonóis reduziram significativamente a aderência da bactéria, tanto isoladamente como na presença das PAs. Os flavonóides galactosídeos foram os que tiveram um efeito mais forte.
 

Catherine Neto, uma das autoras do estudo, refere que acredita que tal como os PAC, os favonóis fazem parte do sistema de defesa da planta. Estes são metabolitos secundários que são produzidos em grandes concentrações quando a planta está sob stress ou na presença de agentes patogénicos.
 

Estes novos dados baseiam-se num estudo anterior de Terri Camesano que demonstrou que o sumo de arando comprime os pequenos filamentos, conhecidos como fímbrias, encontrados na superfície da bactéria e que permite que esta se ligue ao revestimento do trato urinário.
 

A alteração na forma reduz bastante a capacidade de a bactéria iniciar a infeção. De acordo com a investigadora, os flavonóis também afetam a capacidade de as fímbrias se ligarem às superfícies, mas de uma forma diferente das PAC.
 

Os investigadores concluem que estes resultados sugerem que, para além das PAC, existem outras classes de compostos nos arandos que são capazes de inibir a aderência das bactérias. Estes achados podem também ter implicações no desenvolvimento de tratamentos antibacterianos alternativos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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