Suicídio: um problema crescente de saúde pública

Declarações do secretário de Estado Adjunto e da Saúde

10 abril 2012
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O suicídio é um “problema de saúde pública” e uma “realidade crescente” em Portugal que necessita de medidas prioritárias para o combater, dá conta o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

 

“Há duas razões pelas quais nós estamos a ter uma maior mortalidade registada por suicídio: uma delas é que temos a noção clara de que o suicídio é um problema de saúde pública em Portugal”, revelou Fernando Leal da Costa à agência Lusa.

 

Apesar do suicídio ter variações regionais e ainda não ter a dimensão tão elevada como noutros países, nomeadamente do Norte da Europa, Leal da Costa afirmou que “é uma realidade crescente em Portugal, nomeadamente o suicídio de idosos que se prende claramente com circunstâncias que têm a ver com o abandono social e com condições mais difíceis de sobrevivência”.

 

De forma a combater a solidão dos idosos, foi criado pelo Ministério da Saúde e pelas estruturas da Segurança Social um programa de acompanhamento e ainda este ano será lançado o plano para prevenir os suicídios em Portugal, na sequência do aumento esperado de depressões devido à crise.

 

“Esta situação leva-nos a pensar que temos de inventar outras medidas e temos um plano nacional de prevenção de suicídio que está neste momento a ser ultimado e isso para nós é muito prioritário”, frisou.

 

Leal da Costa ressalvou que o aumento do número de suicídios também pode ser atribuído a um maior registo do suicídio como causa de morte nas certidões de óbito.

 

“Nós sabemos desde há muitos anos que o suicídio em Portugal, como em outros países da Europa, está subnotificado, muitas vezes por circunstâncias relacionadas com algum risco de estigmatização social e até com condições específicas das apólices de seguro de vida”, revelou o secretário de Estado.

 

Para Leal da Costa, este é um aspeto que tem de ser melhorado: “Nós temos de ter uma noção mais precisa da realidade para poder combatê-la”.

 

Quanto ao aumento das taxas de suicídio como resultado da crise, o secretário de Estado afirmou que, “em todas as circunstâncias de maior crise económica ou financeira, com o aumento do desemprego, aumento de situações de maior dificuldade social, individual e familiar, é possível e imaginável que isso aconteça”.

 

Leal da Costa alertou ainda para o papel que a sociedade pode ter para prevenir estes casos. ”Acima de tudo tem de estar mais consciente para o problema e para a necessidade de nos mantermos mais solidários e mais atentos a quem precisa”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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