Suicídio no Alentejo é consequência da falta de apoios à população idosa

Explicações do psiquiatra Fernando Areal

07 junho 2011
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Os idosos no Alentejo suicidam-se por “não lhes restar outra solução” e devido a um “enraizamento” de comportamentos com mais de um século, explicou à agência Lusa, o médico psiquiatra Fernando Areal.

 

O clínico, que foi responsável pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de Beja durante cerca de três décadas, explicou que, os idosos “mais desprotegidos”, debatendo-se com “carências de toda a ordem”, restava-lhes a “solução” do suicídio e, apesar das melhorias verificadas ao nível da assistência médica e social, o psiquiatra considera que “este problema vai continuar”, porque ainda há “franjas de idosos isolados, depressivos e sozinhos”.

 

Fernando Areal relacionou também as elevadas taxas de suicídio no Alentejo, sobretudo em Odemira (superior a 50 por 100 mil habitantes), com um “enraizamento de comportamentos com mais de 100 anos”, sendo que, em determinadas zonas, como Sabóia, freguesia do concelho de Odemira, “um indivíduo suicidar-se é um acto de honra e não tem nada de negativo”.

 

Em entrevista à Lusa, o psiquiatra refere que o problema tem de “ser trabalhado a nível das freguesias onde a taxa de suicídio é mais elevada” e congratulou-se por estar a ser construído, no Hospital de Beja, um internamento para doentes do foro psiquiátrico, apesar de considerar que tal já deveria ter acontecido há muito mais tempo.

 

Mário Jorge Santos, responsável pela área de Saúde Mental na Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde Alentejo Litoral, explicou à mesma agência noticiosa, que, para ajudar na prevenção do suicídio na região, estão a ser utilizadas as unidades móveis de saúde de Odemira e Santiago do Cacém. A “missão” destas unidades é identificar os habitantes dos montes, onde vivem, muitas vezes, apenas uma ou duas pessoas isoladas, de forma a saber-se “onde estão, quem são e quantos são”, estratégia que, no entender do clínico, será “determinante para diminuir a taxa de suicídio no Alentejo”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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