Suicídio entre prostitutas do Porto é mais de 100 vezes superior à média da população

Tese de mestrado do psicólogo Alexandre Teixeira

13 setembro 2011
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Quase metade (44%) das prostitutas de rua que participaram num estudo realizado no Porto tentaram suicidar-se, algumas mais do que uma vez, taxa mais de cem vezes superior à estimativa entre a população geral.

 

O trabalho, que constitui a tese de mestrado do psicólogo Alexandre Teixeira e que foi noticiado pela agência Lusa, foi feito através de um inquérito realizado a 52 mulheres que se prostituíam nas ruas da cidade nortenha entre Dezembro de 2009 e Março de 2010. Das 23 mulheres que disseram já ter querido colocar fim à vida, dez disseram tê-lo feito uma vez, seis  duas vezes  e sete em três ou mais ocasiões.

 

Sem outros trabalhos científicos do mesmo âmbito, o investigador recorre ao índice apresentado por estudos internacionais que apontam para que a percentagem de mulheres adultas a quem alguma vez ocorreu suicidarem-se varie entre os 10 e os 11%, desconhecendo-se a taxa das que o tentaram.

 

Atendendo a que o número de suicídios em Portugal é de 9,6 por cada 100 mil habitantes/ano e que os cientistas calculam que por cada suicídio consumado haja outras 30 tentativas, contas feitas pela Lusa levam ao número provável de 28.800 tentativas anuais no país e uma taxa de 0,28%. Quando comparados, os dados recolhidos por Alexandre Teixeira indiciam uma taxa de suicídio tentado entre o universo de prostitutas inquirido mais de 170 vezes superior à estimativa do que ocorre entre a população portuguesa em geral.

 

O único estudo com algumas semelhanças que o psicólogo português conhece foi realizado com prostitutas na China, mas apenas revela que 14% das inquiridas tinham alguma vez pensado em suicídio, desconhecendo-se quantas o tinha tentado.

 

A taxa de tentativas de suicídio encontrada na meia centena de mulheres surge rodeada de outros indicadores de uma grande degradação social do grupo: 60% têm menos que o sexto ano de escolaridade, sendo que 40% tem apenas a antiga quarta classe, 63% começaram a prostituir-se por dificuldades económicas, um terço consome drogas habitualmente e quase todas são vítimas de violência por parte dos clientes ou no próprio ambiente familiar.

 

A depressão é outro dos problemas comuns no grupo, onde a 88% das mulheres revelou já lhe ter sido diagnosticada alguma vez aquela doença mental.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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