Sucesso dos placebos está nos genes

Estudo publicado no “PLoS ONE”

26 outubro 2012
  |  Partilhar:

Investigadores americanos descobrem as diferenças genéticas entre os indivíduos que respondem ou não ao tratamento com placebo, dá conta um estudo publicado no “PLoS ONE”.
 

O efeito placebo ocorre quando um paciente mostra melhorias com tratamentos que não contêm nenhuma substância ativa. Para os investigadores que realizam ensaios clínicos de novos medicamentos, os quais requerem um controlo de um placebo para determinar a sua eficácia, as respostas ao placebo podem apresentar algumas dificuldades. Por vezes é necessário o recrutamento de mais pacientes para que se consiga obter dados estaticamente significativos, o que conduz a um aumento dos custos dos ensaios.
 

Tendo em conta que a dopamina desempenha um papel importante tanto na recompensa como na dor, os investigadores da Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Harvard Medical School, nos EUA, começaram por pesquisar um marcador genético dos placebos na via da dopamina. Assim, o foco da sua investigação foi no gene que codifica a enzima catecol-O-metiltransferase (COMT).
 

“O COMT é um excelente candidato pois está envolvido na causa e tratamento de muitas doenças, nomeadamente da doença de Parkinson”, revelou, em comunicado de imprensa, a principal autora do estudo, Kathryn Hall.
 

Os autores do estudo explicaram que as variações genéticas ou polimorfismos no caso do gene COMT dão origem as pessoas que têm duas cópias do alelo metionina (met), duas cópias do alelo valina (val) ou uma cópia de cada. Os indivíduos com duas cópias do alelo da metionina têm três a quatro vezes mais dopamina que os que têm duas cópias do alelo da valina.
 

Deste modo, os investigadores colocaram a hipótese de se a dopamina estivesse realmente envolvida na resposta ao placebo, seria possível visualizar diferenças no modo como os genótipos val/val , met/val e met/met responderiam aos tratamentos com placebo.
 

De forma a testar esta hipótese os investigadores utilizaram um ensaio clínico de 2008 desenhado para estudar o efeito placebo em pacientes com síndrome do intestino irritável. As amostras de sangue foram genotipadas tendo sido analisado o efeito do genótipo e o tipo de tratamento recebido.
 

O estudo apurou que é possível que, contrariamente ao genótipo val/val, o genótipo met/met funcione como marcador genético para a resposta ao placebo.

 

A possibilidade de se prever a predisposição genética para a resposta a um placebo pode ter um grande impacto na redução, tamanho, custo e duração dos ensaios clínicos. Estes resultados são assim um grande avanço no conhecimento do efeito placebo e podem conduzir a grandes alterações na forma como os novos medicamentos irão no futuro ser desenvolvidos, concluem os autores do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.