Substâncias da euforia apagam más recordações

Canabinóides podem ajudar em situações de stress pós-traumático

31 julho 2002
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Substâncias químicas cerebrais ligadas à sensação de euforia, similares ao ingrediente activo da marijuana, podem eliminar recordações difíceis de ultrapassar, refere um estudo publicado na «Nature» pela equipa de investigadores do Instituto Max Planck, na Alemanha.
 

 

Segundo um grupo de cientistas alemães, os compostos químicos do cérebro semelhantes ao cannabis - o princípio activo da marijuana - têm um papel fundamental no cérebro para apagar más memórias.
 

 

Os investigadores demonstraram que as substâncias químicas naturais no cérebro diminuem a acção de células nervosas e eliminam as más recordações.
 

 

Deste modo, a equipa concluiu que a ausência dessas substâncias pode explicar por que razões algumas pessoas têm mais dificuldades em esquecer momentos dolorosos e sofrer mais stress pós-traumáticos, fobias e problemas de ansiedade.
 

 

Para os cientistas, que realizaram testes em laboratórios, medicamentos que simulem no cérebro o papel dos canabinóides podem ajudar os pacientes a esquecer memórias dolorosas.
 

 

As moléculas semelhantes às conhecidas como canabinóides ligam-se aos receptores químicos do cérebro e podem criar uma sensação de euforia.
 

 

O THC e moléculas similares no cérebro conhecidas como canabinóides ligam-se aos receptores químicos do cérebro e podem criar uma sensação de euforia.
 

 

A equipa criou ratos geneticamente modificados, ou transgênicos, sem um receptor de canabinóide. Quando os investigadores os condicionaram a associar um tom musical a um choque eléctrico, os animais produziram uma reacção de medo, e continuaram a reagir mesmo quando o tom não era seguido por um choque.
 

 

Enquanto os ratos normais pararam de reagir ao tom rapidamente quando este não era associado a um choque, os transgênicos, sem o receptor de canabinóide, levaram muito mais tempo para esquecer o medo.
 

 

No entanto, no caso de marijuana ou haxixe, o mesmo efeito não se verifica. Isto porque, explicou o cientista, «as substâncias inundam o cérebro de modo pouco específico e insuficiente para extinguir as más recordações».
 

 

A equipa acredita que drogas que tenham como alvo enzimas específicas para elevar os canabinóides poderiam ajudar pessoas com ataques de pânico e lembranças ligadas ao medo.
 

 

No comentário ao artigo da revista Nature, Pankaj Sah, um neurocientista da Universidade de Canberra, na Austrália, disse que o estudo é importante porque além de poder tratar a ansiedade no futuro, pode ajudar os médicos a entender por que razões pessoas ansiosas ou com problemas mentais muitas vezes se tornam utilizadoras de marijuana ou haxixe.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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