Stress visual pode ser sintoma de síndrome de fadiga crónica

Estudo publicado na revista “Perception”

27 novembro 2015
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Os indivíduos afetados pela síndrome de fadiga crónica podem sentir níveis elevados de stress visual comparativamente com aqueles sem esta condição, dá conta um estudo publicado na revista “Perception”.
 
A síndrome de fadiga crónica também conhecida como encefalomielite miálgica, é uma doença que provoca cansaço persistente afetando o dia-a-dia dos pacientes e não desaparece com o sono ou descanso. O diagnóstico da doença é difícil uma vez que os seus sintomas são semelhantes aos presentes noutras doenças.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de Leicester, no Reino Unido, analisaram pacientes com e sem síndrome da fadiga crónica tendo descoberto que aqueles afetados pela condição eram mais vulneráveis ao stress visual associado a padrões, que causam desconforto e cansaço ao ver padrões listados e repetidos, como quando se está a ler um livro.
 
Na opinião dos investigadores, liderados por Claire Hutchinson, este estudo pode ajudar no diagnóstico da síndrome de fadiga crónica, uma vez que os resultados sugerem que o sistema visual dos pacientes com síndrome da fadiga crónica está afetado. 
 
“O diagnóstico da síndrome de fadiga crónica é controverso. Com a exceção da fadiga, há poucas características clínicas definitivas e os seus sintomas principais sobrepõem-se por vezes aos frequentemente encontrados noutras condições. Como resultado, a síndrome de fadiga crónica é muitas vezes um diagnóstico de exclusão, sendo realizado como um último recurso e, possivelmente, após um paciente ter experimentado uma série de tratamentos inadequados de doenças mal diagnosticadas”, referiu, em comunicado de imprensa, a investigadora.
 
Na opinião de Claire Hutchinson, é muito importante que a investigação se foque na identificação de características clínicas significativas desta síndrome na perspetiva de elucidar a patologia subjacente e destacá-la de outras doenças.
 
Neste estudo os investigadores avaliaram a vulnerabilidade dos pacientes com síndrome de fadiga crónica a um padrão de stress visual. Foi utilizado um teste no qual os pacientes reportavam o número de distorções visuais enquanto visualizavam três padrões listados repetidos com diferentes níveis de detalhe.
 
Ao longo do estudo foram recrutados 20 pacientes com síndrome de fadiga crónica e 20 saudáveis. Os participantes visualizaram três padrões com frequências visuais baixas, médias e elevadas. Verificou-se que, comparativamente com os indivíduos saudáveis, os pacientes com síndrome de fadiga crónica reportavam mais distorções no padrão listado intermédio.
 
A existência de um padrão visual de stress na síndrome de fadiga crónica pode representar um marcador comportamental identificável e facilmente mensurável da condição. Isto pode, em conjunto com outros testes de diagnóstico, ajudar a destacar a síndrome de outras condições”, concluiu a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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