Stress promove resiliência ou depressão?

Estudo publicado no “The Journal of Neuroscience”

30 maio 2014
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Investigadores americanos identificaram os neurónios que determinam se, na presença de stress, um indivíduo irá desenvolver depressão ou resiliência, sugere um estudo publicado no “The Journal of Neuroscience”.
 

As pessoas reagem ao stress de formas diferentes. Para umas o stress é um estímulo que ajuda a resolver os problemas. Contudo, para outras, o stress conduz ao desenvolvimento da depressão, as pessoas ficam como paralisadas e instalam-se sentimentos de derrota. Na verdade mais de 20% das pessoas irão desenvolver depressão em algum momento das suas vidas. Há muito que a comunidade científica está a trabalhar no sentido de perceber como e por que motivo esta doença se desenvolve.
 

Os cientistas têm-se baseado em imagens cerebrais para analisar as alterações neuronais durante a depressão. Foi constatado que uma região do cérebro conhecida por córtex pré-frontal medial tornava-se hiperativa nos indivíduos deprimidos. Esta área cerebral é conhecida por desempenhar um papel importante no controlo das emoções e comportamento, associando os sentimentos às ações. Contudo, ainda não tinha sido apurado se este aumento de atividade no córtex pré-frontal medial causava depressão ou se era simplesmente o subproduto de outras alterações neuronais.
 

Agora neste estudo, os investigadores do Cold Spring Harbor Laboratory, nos EUA, tentaram identificar as alterações neuronais envolvidas na depressão, tendo para tal utilizado um modelo de ratinho para a depressão, tendo também marcado especificamente neurónios que respondem ao stress.
 

O estudo apurou que os neurónios encontrados no córtex pré-frontal medial ficavam mais ativados nos ratinhos deprimidos. O oposto ocorria nos ratinhos considerados resilientes. Para terem a certeza que o aumento da sinalização no córtex pré-frontal medial era a verdadeira causa a depressão, os investigadores desenvolveram ratinhos que mimetizavam as condições neuronais encontradas nos animais deprimidos.
 

“Os resultados foram surpreendentes. Os ratinhos fortes e resilientes tornaram-se impotentes, mostrando todos sinais clássicos da depressão”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Bo Li.
 

Os investigadores esperam que estes resultados ajudem a tornar a estimulação cerebral profunda, que suprime a atividade de neurónios específicos, num tratamento ainda mais eficaz e específico. Com base na atividade do córtex pré-frontal medial os investigadores estão já a desenvolver estratégias adicionais para tratar a depressão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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