Stress pré-natal pode ativar mecanismos protetores nos bebés

Estudo publicado na revista “Social Cognitive and Affective Neuroscience”

18 maio 2016
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O stress materno e a depressão na gravidez podem ativar determinados mecanismos protetores nos bebés, sugere um estudo publicado na revista “Social Cognitive and Affective Neuroscience”.
 

Estudos anteriores tinham demonstrado que as adversidades durante a gravidez poderiam aumentar o risco de doenças mentais e físicas na descendência. Contudo, a comunidade científica tem dedicado até à data pouca atenção aos potenciais mecanismos de proteção para a criança.
 

Para o estudo, os investigadores, liderados por Gunther Meinlschmidt, da Universidade da Basileia, na Suíça, analisaram 100 mães e os seus bebés durante e após a gravidez. Foi recolhido sangue do cordão umbilical de 39 recém-nascidos e avaliada a hormona do stress, o cortisol, em amostras de saliva das mães. Através de questionários, os cientistas avaliaram a saúde das mães e os eventos stressantes a que estas tinham sido submetidas.
 

O estudo apurou que o aumento das concentrações das hormonas associadas ao stress materno, dos sintomas depressivos e das adversidades gerais na gravidez era acompanhado por alterações epigenéticas na criança.
 

Os investigadores verificaram que, nestas circunstâncias, o gene que codifica o recetor da oxitocina, que é importante para o comportamento social e adaptação ao stress, era ativado mais facilmente. Este mecanismo pode indicar que, nestes casos, os bebés adaptam-se para desenvolver maior resiliência de forma a ultrapassarem desafios e adversidades futuras.
 

A ativação de um gene depende também de grupos metilo que se ligam ao ADN e funcionam como um interruptor. O estudo apurou que as crianças de mães com stress aumentado e sintomas depressivos apresentam, ao nascimento, uma metilação reduzida do gene que codifica o recetor da oxitocina. Isto faz com que o gene fique mais facilmente ativado, o que conduz a uma produção mais facilitada dos recetores da oxitocina para que a oxitocina reaja a estes e produza os seus efeitos. A oxitocina, para além de ter uma função importante na relação mãe-filho, na indução do trabalho de parto e lactação, também influencia o comportamento social.
 

Gunther Meinlschmidt referiu que a investigação da resiliência é uma área que está agora no início. As observações realizadas fornecem a primeira evidência de que um ambiente adverso durante a gravidez pode ativar mecanismos protetores.
 

“Necessitamos de uma compreensão abrangente dos processos psicológicos que permitam que os seres humanos tenham uma saúde sustentada a longo prazo, mesmo ao longo das gerações, apesar das adversidades. Com base neste conhecimento, os processos de resiliência podem ser promovidos de forma a tentar impedir o desenvolvimento de doenças mentais e físicas”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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