Stress pós-traumático aumenta risco de diabetes tipo 2 nas mulheres

Estudo publicado no “JAMA Psychiatry”

12 janeiro 2015
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As mulheres com stress pós-traumático apresentam um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2, dá conta um estudo publicado no “JAMA Psychiatry”.
 

Apesar de estudos anteriores já terem sugerido que havia uma associação entre a diabetes tipo 2 e o stress pós-traumático, a causa ainda não tinha sido completamente clarificada. Foi neste contexto que os investigadores da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, decidiram analisar mais aprofundadamente esta associação, tendo para tal contado com a participação de 49.239 mulheres que foram acompanhadas ao longo de 22 anos.
 

O estudo apurou que um total de 3.091 mulheres desenvolveu diabetes tipo 2 durante o período de acompanhamento. Verificou-se também que quanto maior era o número e severidade dos sintomas associados ao stress pós-traumático, maior era o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
 

Os investigadores verificaram a ocorrência de 4,5 casos de diabetes por cada mil pessoa-anos em mulheres com seis a sete sintomas de stress pós-traumático, 3,9 casos nas mulheres com quatro a cinco sintomas, 3,7 casos nas participantes com um a três sintomas. Foram ainda observados 2,8 casos de diabetes nas mulheres que tinham sido expostas a eventos traumáticos, mas sem sintomas de stress pós-traumático e, por último, 2,1 casos em mulheres que não tinham sido expostas a qualquer trauma.
 

O estudo apurou ainda que cerca de metade do risco aumentado de desenvolver diabetes era devido a um Índice de Massa Corporal (IMC) elevado e à toma de antidepressivos para o tratamento do stress pós-traumático.
 

“Constatámos que as mulheres com um número mais elevado de sintomas envolvidos no stress pós-traumático tinham um risco duas vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2, comparativamente com aquelas que não sofrem deste tipo de trauma”, revelaram, em comunicado de imprensa, os autores do estudo.
 

Na opinião dos investigadores, estes resultados têm implicações tanto ao nível de futuras investigações como na prática clínica. “Estudos futuros deverão identificar as causas bioquímicas e comportamentais, como alterações de sono, que medeiam a associação entre o stress pós-traumático e o desenvolvimento de diabetes tipo 2”, concluem.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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