Stress Pós-Traumático afecta 650 mil portugueses

Estudo apresentado no Hospital Júlio de Matos

28 novembro 2002
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A taxa de ocorrência de Stress Pós-Traumático em Portugal é, actualmente, de 7,8 por cento, de acordo com o primeiro estudo efectuado em Portugal sobre a prevalência de Stress Pós-Traumático (PTSD). A extrapolação destes valores em número de casos, na população portuguesa com mais de 18 anos, traduz-se em 653,945 casos.
 

 

A taxa de prevalência de perturbação pós-traumática de stress, determinada pelo número de casos caracterizados como tendo PTSD presentes na data de resposta ao questionário foi de 5,3%, correspondendo esta a 440,395 casos.
 

 

No total de inquiridos, a taxa de ocorrência de PTSD relacionada com situação de guerra (combate) foi de 0,8. Por extrapolação, em número de casos, para a população portuguesa com mais de 18 anos, verificou-se ter ocorrido em 66,475 casos.
 

 

O projecto, apresentado esta semana no Hospital Júlio de Matos, foi elaborado por um conjunto de especialistas médicos nacionais como Afonso de Albuquerque, Catarina Soares, Paula Martins de Jesus e Catarina Alves, o qual contou com o apoio da Pfizer. Estes especialistas procederam à recolha de informação entre Março e Maio de 2002, junto de 2606 indivíduos com uma distribuição equitativa por sexos e uma média etária de 43 anos, variando entre os 18 e os 99 anos.
 

 

No estudo foram avaliadas também as situações que mais poderão ter causado acontecimentos traumáticos passíveis de originar PTSD. Neste contexto, a que mais contribuiu para o total de casos de PTSD foi «morte violenta de familiar ou amigo».
 

 

Analisando as frequências relativas de cada uma das situações, conclui-se que as situações que causaram PTSD em maior proporção de casos foram «violação» (23,1%), «abuso sexual antes dos 18 anos» (21,7%), «morte violenta de familiar ou amigo» (12,3%) e «combate» (10,9%). Verificou-se também que, no total da amostra, 1134 indivíduos estiveram confrontados com mais do que uma situação traumática.
 

 

A PTSD é a única doença psiquiátrica cujo diagnóstico exige que um factor stressante específico preceda o seu aparecimento. É caracterizado por sintomas que se desenvolvem a seguir à exposição a uma situação de trauma psicológico a que a pessoa reage com medo intenso, horror ou desespero. Os sintomas de PTSD dividem-se nas categorias da Re-experiência do acontecimento (em pesadelos ou durante o estado de vigília), evitação do estímulo traumático e sintomas persistentes de excitabilidade neurovegetativa («nervosismo»).
 

 

A PTSD aparece quase sempre logo após à exposição ao trauma e em cerca de metade dos casos prolonga-se para além de três meses (PTSD crónica), com frequência durante uns anos ou até toda a vida. Neste caso, está com frequência associado a um risco aumentado de depressão e suicídio, perturbação de pânico, ansiedade generalizada, alcoolismo e toxicodependência, disfunções sexuais e doença dermatológica.
 

 

Assim, o objectivo principal deste projecto nacional foi o de avaliar a taxa de ocorrência de perturbação pós-traumática de stress na população portuguesa. Nesta perspectiva, realizou-se um estudo epidemiológico, transversal de uma amostra representativa da população portuguesa. A amostra foi definida de modo bi-etápico e estratificado, sendo representativa da população com idade igual ou superior a 18 anos, a nível nacional.
 

 

Este estudo visou ainda quantificar e caracterizar as situações identificadas como causa da perturbação pós-traumática de stress, avaliar a taxa de ocorrência de perturbação de PTSD presentes no momento do estudo, avaliar a taxa de ocorrência de perturbação pós-traumática de stress de guerra, na população portuguesa e caracterizar algumas variáveis socio-demográficas dos indivíduos com perturbação pós-traumática de stress.
 

 

Aos indivíduos que deram o seu consentimento informado, oral, para participação no estudo, foi aplicado um inquérito para caracterização bio-demográfica e social, identificação de situações que possam originar perturbação pós-traumática de stress e caracterização da sintomatologia associada.
 

 

Os critérios utilizados para classificar os indivíduos como tendo Perturbação Pós-Stress Traumática relacionaram a existência de acontecimentos traumáticos com a sintomatologia a estes associada, bem como a sua repercussão na vida diária do indivíduo.
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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