Stress: porque aumenta as convulsões epiléticas?

Estudo publicado na revista “Science Signaling”

17 junho 2016
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Investigadores do Canadá descobriram por que motivo o stress pode aumentar a frequência e intensidade das convulsões em pacientes com epilepsia e identificaram uma possível forma de impedir este processo, dá conta um estudo publicado na revista “Science Signaling”.
 

A epilepsia é uma doença neurológica crónica caracterizada por convulsões recorrentes, provocadas por picos repentinos de atividade elétrica no cérebro. O stress e a ansiedade são fatores desencadeadores bem estabelecidos das convulsões. Na verdade, alguns estudos têm demonstrado que a redução do stress pode diminuir o risco de convulsão para os indivíduos afetados por esta condição.
 

Contudo, até à data, a comunidade científica ainda não tinha percebido por que o motivo o stress e a ansiedade exacerbavam a epilepsia e o que poderia ser feito para evitar a ocorrência de convulsões.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade Western, no Canadá, descobriram que a doença produz alterações na sinalização neuronal que aumentam a ocorrência de convulsões ao converter uma resposta ao stress benéfica num desencadeador epilético.
 

No estudo os investigadores focaram-se num neurotransmissor conhecido por CRF (do inglês, corticotropin-releasing factor) que coordena muitas das respostas comportamentais ao stress no sistema nervoso central.
 

Através da utilização de um modelo de ratinho para a epilepsia foi analisado o efeito deste neurotransmissor no córtex piriforme, uma região do cérebro onde ocorrem as convulsões nos humanos.
 

O estudo apurou que no cérebro normal, o CRF diminuía a atividade desta zona do cérebro envolvida nas convulsões. Contudo, nos ratinhos com epilepsia, o CRF fazia exatamente o oposto, aumentando a atividade do córtex piriforme.
 

Os investigadores verificaram que quando utilizaram o CRF no cérebro epilético, a polaridade do efeito ficava invertida, ou seja, o córtex piriforme passava de inibido para ativado. Experiências posteriores demonstraram que o CRF alterava a sinalização neuronal no cérebro dos ratinhos com epilepsia.
 

Os cientistas constataram que o CRF ativava uma proteína denominada RGS2 que alterava a comunicação entre as células nervosas no córtex piriforme, aumentando a ocorrência das convulsões.
 

Na opinião dos investigadores estes resultados sugerem que os fármacos bloqueadores da CRF podem impedir as convulsões induzidas pelo stress nos pacientes epiléticos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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