Stress: por que motivo as mulheres são mais resistentes?

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

12 julho 2013
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Investigadores americanos descobriram por que motivo as mulheres são mais resistentes ao stress que os homens, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 

Neste estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Bufalo, nos EUA, os investigadores constataram que nos ratinhos expostos a episódios repetidos de stress, as fêmeas respondiam melhor do que os machos devido ao efeito protetor do estrogénio. As fêmeas expostas ao stress, ao longo de uma semana, não apresentaram deterioração da memória, bem como da sua capacidade em reconhecer objetos com os quais tinham previamente tido contacto. Por outro lado, os machos submetidos ao mesmo tipo de stress apresentaram problemas de memória de curto prazo.
 

Os investigadores referem que a deterioração da capacidade de recordar corretamente um objeto familiar traduz-se na perturbação da capacidade de sinalização do recetor do glutamato no córtex pré-frontal, a região do cérebro que controla a memória de trabalho, atenção, tomada de decisões, emoção e outros processos.
 

Um estudo anterior, realizado pela mesma equipa de investigadores, tinha constatado que o stress repetido resultava na perda do recetor do glutamato no córtex pré-frontal dos homens. Contudo, este novo estudo demonstrou que este recetor permanece intacto nas fêmeas. Estes resultados apoiam a noção de que o recetor do glutamato é o alvo molecular que medeia a resposta ao stress.  
 

Através da manipulação dos níveis de estrogénio produzidos no cérebro, os investigadores conseguiram que os machos respondessem ao stress, tal como as fêmeas, e vice-versa.
 

“Quando a sinalização do estrogénio foi bloqueada no cérebro das fêmeas, o stress teve um efeito negativo. Quando este foi ativado nos machos, os efeitos prejudiciais foram bloqueados”, explicou, o líder do estudo, Zhen Yan.
 

O estudo apurou ainda que o estrogénio continuou a exercer um efeito protetor nas fêmeas nas quais os ovários tinham sido removidos. De acordo com os investigadores, estes resultados sugerem que é o estrogénio produzido no cérebro que protege contra os efeitos prejudiciais do stress.
 

“Se conseguirmos encontrar compostos similares ao estrogénio que poderiam ser administrados sem causar efeitos hormonais secundários, estes poderiam ser muito eficazes nos problemas dos homens associados ao stress”, conclui a investigadora. Apesar de o stress não ser em si uma doença psiquiátrica, pode despoletar o desenvolvimento destas doenças em indivíduos vulneráveis, acrescentou ainda.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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