Stress na infância aumenta risco de diabetes e doença cardíaca na idade adulta

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

01 outubro 2015
  |  Partilhar:
As crianças submetidas a elevados níveis de stress podem estar em maior risco de sofrerem de diabetes e doença cardíaca mais tarde na vida, sugere um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.
 
Já é bem conhecido que o stress pode ter um impacto negativo na saúde. De acordo com o Instituto Americano do Stress, este é responsável por cerca de 60% de todas as doenças humanas. Contudo, ainda não está perfeitamente esclarecido se o stress sentido no início da vida tem impacto no risco de saúde na idade adulta.
 
De forma a aprofundar melhor esta associação, os investigadores da Escola de Saúde Pública em Boston, EUA, analisaram mais de sete mil indivíduos, nascidos na mesma semana, e que foram acompanhados ao longo de uma média de 45 anos. Aos sete, 11, 16, 23, 33 e 42 anos foram recolhidas informações sobre os níveis de stress e saúde mental dos participantes.
 
Aos 45 anos, a pressão arterial dos participantes foi avaliada e foram retiradas amostras de sangue para avaliação de nove marcadores biológicos. Com base nestes resultados os investigadores conseguiram obter uma pontuação de risco metabólico que indica o risco de um indivíduo sofrer de diabetes e doença cardíaca.
 
O estudo apurou que, comparativamente com os indivíduos que foram alvo de níveis baixos de stress na infância e idade adulta, aqueles com elevados níveis de stress apresentavam pontuações mais elevadas no risco cardiometabólico.
 
Os investigadores verificaram que o risco cardiometabólico para indivíduos que foram alvo de stress desde a infância até à idade média adulta era maior do que o habitualmente associado ao excesso de peso e obesidade infantil.
 
Os indivíduos cujos níveis de stress eram mais elevados na infância e também na idade adulta também tinham pontuações de risco cardiometabólico mais elevadas.
 
Quando os investigadores ajustaram os resultados tendo em conta os fatores que poderiam influenciar o risco cardiometabólico, como nível socioeconómico, uso de medicamentos e comportamentos de saúde, descobriram que o risco cardiometabólico de indivíduos que experimentaram altos níveis de stress na idade adulta não eram mais elevados do que aqueles que estiveram sujeitos a baixos níveis de stress ao longo da vida.
 
No entanto, mesmo após terem tido em conta este tipo de fatores, os investigadores verificaram que os indivíduos que foram alvo de elevados níveis de stress na infância e aqueles em que o stress persistiu desde a infância até à idade adulta apresentavam um risco cardiometabólico mais elevado do que aqueles com níveis de stress mais baixos.
 
Os autores do estudo concluem assim que estes achados apoiam a evidência crescente de que o stress na infância influência o risco de diabetes e doença cardíaca mais tarde na vida.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.