Stress na adolescência associado a doenças mentais na idade adulta

Estudo publicado na “Science”

22 janeiro 2013
  |  Partilhar:

A exposição a níveis elevados de uma hormona de stress na adolescência, altura essencial para o desenvolvimento do cérebro, pode causar alterações genéticas associadas a doenças mentais em indivíduos com pré-disposição. O estudo publicado na “Science” poderá ter implicações na prevenção e tratamento da esquizofrenia, depressão e outras doenças mentais.
 

“Descobrimos um mecanismo através do qual os fatores ambientais, como as hormonas do stress, podem afetar a fisiologia do cérebro e causar doença mental”, referiu, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Akira Sawa.
 

Neste estudo os investigadores da Johns Hopkins University School of Medicine, nos EUA, simularam o isolamento social associado com os difíceis anos da adolescência, em animais. Foi verificado que os ratinhos que foram isolados, ao longo de três semanas, não apresentaram alterações no seu comportamento. Contudo, quando a mesma experiência foi realizada em ratinhos geneticamente suscetíveis a desenvolver doenças mentais, estes apresentaram comportamentos associados a este tipo de doenças, nomeadamente hiperatividade.
 

O estudo apurou que quando estes ratinhos voltaram a estar em contacto com os outros animais, continuaram a demonstrar comportamentos anormais, o que sugere que o efeito do isolamento perdurou até ao equivalente da idade adulta.
 

Os investigadores constataram que os ratinhos “mentalmente doentes” apresentavam níveis elevados de uma hormona associada ao stress, o cortisol. Adicionalmente foi também verificado que estes animais tinham níveis significativamente mais baixos do neurotransmissor dopamina, numa região específica do cérebro envolvida nas funções cerebrais superiores como o controlo de emoções e cognição.
 

De forma a averiguar se os níveis de cortisol influenciavam os níveis de dopamina no cérebro adulto e os padrões de comportamento, foi administrado aos ratinhos um composto conhecido por bloquear a entrada de cortisol nas células. Foi verificado que todos os sintomas desapareceram, “os animais ficaram menos hiperativos e os níveis de dopamina normalizaram”, referiu Akira Sawa. Os autores do estudo também descobriram que os níveis anormalmente baixos de dopamina eram causados por alterações no gene que codifica a enzima tirosina hidroxilase.
 

Akira Sawa conclui que estes resultados sugerem a necessidade de pensar em melhores formas de tratamento preventivo para os adolescentes com doenças mentais, incluindo esforços para os proteger contra os fatores socias stressantes, como a negligência. Entretanto, a compreensão da cascata de eventos que ocorrem quando os níveis de cortisol são elevados poderá ajudar a desenvolver novos compostos que tenham por alvo doenças psiquiátricas e com menos efeitos secundários que os atuais.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  

 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.