Stress influencia a forma de aprendizagem

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

14 agosto 2012
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Os indivíduos stressados e os mais calmos utilizam diferentes regiões cerebrais e estratégias na aprendizagem, refere um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.

 

Os investigadores da Ruhr-Universität Bochum, na Alemanha, constataram que enquanto os indivíduos mais calmos utilizam uma estratégia deliberadamente de aprendizagem, os mais nervosos apoiam-se mais no seu instinto.

 

Para este estudo, os investigadores contaram com a participação de 59 indivíduos. A metade dos quais foi pedido que mergulhasse as mãos em água gelada durante três minutos, enquanto eram filmados. Tal como esperado, esta experiência stressou os participantes, conforme foi confirmado pelos testes hormonais. A outra metade dos participantes teve que colocar as mãos em água morna. Posteriormente, tanto os indivíduos que foram submetidos ao stress como os restantes foram convidados a participar num teste de previsão do tempo.

 

Os participantes visualizaram cartas com diferentes simbologias e aprenderam a prever quais as combinações que anunciavam chuva ou sol. Cada combinação estava associada a uma determinada probabilidade da ocorrência de bom ou mau tempo. Durante esta tarefa de previsão do tempo, os participantes foram submetidos a uma ressonância magnética para avaliação da atividade cerebral.

 

Os investigadores verificaram que tanto participantes sujeitos ao stress como os restantes aprenderam a prever o tempo de acordo com a simbologia. Contudo, os participantes que não foram submetidos ao stress focaram-se nos símbolos individuais e não na combinação de símbolos, tendo utilizado conscientemente uma estratégia simples. As ressonâncias magnéticas mostraram que durante a realização desta tarefa houve a ativação de uma região do cérebro associada à memória de longo prazo, o hipocampo. Por outro lado, os indivíduos expostos ao stress utilizaram uma estratégia mais complexa, tendo baseado as suas decisões na combinação dos símbolos. Contudo, eles fizeram isto de uma forma inconsciente, ou seja, não eram capazes de formular a sua estratégia em palavras. As ressonâncias mostraram que, neste caso, houve ativação de uma região cerebral associada à aprendizagem inconsciente, o corpo estriado.

 

“O stress interfere com a aprendizagem consciente e intencional, a qual é dependente do hipocampo. Assim, perante estas situações o cérebro tem de utilizar outros recursos para conseguir aprender”, conclui um dos autores do estudo, Lars Schwabe.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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