Stress crónico pode estar associado à doença de Alzheimer

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

30 março 2012
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O stress crónico despoleta a produção e acumulação de agregados de proteínas insolúveis semelhantes aos novelos neurofibrilares característicos da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

Estes resultados podem, em parte, explicar o motivo pelo qual alguns estudos clínicos têm demonstrado uma associação entre os indivíduos mais suscetíveis ao stress e a doença de Alzheimer, que inclui mais 95% de todos os caso de demência nos seres humanos.

 

Neste estudo os investigadores da University of California, nos EUA, verificaram que, em ratinhos, repetidos episódios de stress, comparáveis aos sentidos pelos humanos no quotidiano, conduziam à fosforilação e alteração da solubilidade das proteínas tau nos neurónios. Estes eventos são críticos para o desenvolvimento dos novelos neurofibrilares presentes na doença de Alzheimer.

 

O estudo revelou que este efeito foi mais pronunciado no hipocampo, uma região do cérebro associada com a formação, organização e armazenamento da memória. Nos pacientes com Alzheimer, o hipocampo é tipicamente a primeira região do cérebro a ficar afetada pela patologia da proteína tau.

 

Contudo, nem todos os tipos de stress afetam o cérebro de igual forma. Estudos anteriores, realizados pela mesma equipa de investigação, constataram que o stress agudo, de um único episódio, não conduz a alterações prolongadas e debilitantes na acumulação das proteínas tau. O Robert A. Rissman dá conta que as alterações provocadas pelo stress agudo são transitórias. “O stress agudo pode ser benéfico para a plasticidade do cérebro e ajudar no processo de aprendizagem. O stress crónico e a ativação contínua das vias envolvidas no stress podem conduzir a alterações patológicas nestas vias”, explicou o investigador em comunicado enviado à imprensa.

 

“O envelhecimento é o principal fator de risco da doença de Alzheimer. Eventualmente à medida que as pessoas envelhecem, os neurónios deixam de ser tão plásticos e deterioram-se mais facilmente, acrescentou Robert A. Rissman

 

Os investigadores verificaram que os sinais do stress afetam dois recetores chave produtores da corticotropina, os quais podem ser alvo de potenciais terapias. O investigador conclui que “não se consegue eliminar o stress. Todas as pessoas têm de ser capazes de responder aos estímulos stressantes. A ideia é utilizar uma molécula antagonista que reduza os efeitos do stress nos neurónios. “

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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