Stress associado à inflamação pode aumentar o risco de desenvolver depressão

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

24 outubro 2014
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O stress associado à inflamação pode aumentar o risco de desenvolver depressão, defende o estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

A inflamação que ocorre devido à resposta do sistema imune contra uma infeção ou doença há muito que tem sido associada ao stress. Estudos anteriores constataram que a depressão e a ansiedade estavam associadas a níveis elevados de moléculas inflamatórias e leucócitos. Contudo, ainda não se sabia com certeza se a inflamação estava presente antes do início da doença ou se estava funcionalmente associada à sintomatologia da depressão.
 

Para este estudo, os investigadores da Escola de Medicina de Icahn, nos EUA, mediram os níveis de Il-6 em ratinhos não agressivos, antes de estes estarem em contanto com animais violentos. Verificou-se que os níveis de Il-6 eram mais elevados nos ratinhos suscetíveis ao stress do que nos ratinhos mais resilientes.
 

Os investigadores constataram também que os níveis de leucócitos, células produtoras de Il-6, eram mais elevados nos ratinhos suscetíveis ao stress antes de estes serem expostos ao stress. Os níveis elevados desta citoquina foram posteriormente validados em pacientes com depressão diagnosticada.
 

De acordo com os investigadores, este estudo sugere que as diferenças pré-existentes no sistema imune pode prever ou promover a suscetibilidade ao stress. Adicionalmente, verificou-se que quando os ratinhos eram submetidos a um transplante de leucócitos que não produziam Il-6 ou quando eram tratados, antes da exposição ao stress, com anticorpos capazes de bloquear a citoquina, estes não evitavam socializar com outros animais com tanta frequência, comparativamente com os ratinhos do grupo controlo. Estes resultados mostram que a resposta emocional ao stress pode ser gerada ou bloqueada.
 

Foi assim demonstrado pela primeira vez que a resposta da Il-6 antes da exposição ao stress social pode prever as diferenças na vulnerabilidade ao stress social subsequente.

 

“A Il-6 pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de depressão nos indivíduos vulneráveis. Acreditamos que estes resultados podem ter um impacto significativo no desenvolvimento de novas terapêuticas antidepressivas capazes de inibir a citoquina e, consequentemente, reduzir o stress induzido em pacientes com depressão”, conclui o líder do estudo, Scott Russo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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