"Stigma Index Portugal"

Infetados com VIH sentem-se descriminados

25 novembro 2013
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Em Portugal, um terço dos infetados com VIH sente-se descriminado no que diz respeito ao acesso dos cuidados de saúde, dá conta um estudo que analisou o estigma relacionado com o vírus.
 

O estudo denominado por "Stigma Index Portugal inquiriu 1.474 pessoas infetadas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). “O objetivo do estudo foi identificar e caracterizar uma situação de que todos falamos, como prioritária para resolver, mas de que não conhecíamos os seus contornos, consequências e causas em Portugal, que é a discriminação pelo facto de se viver com VIH/Sida”, disse à agência Lusa o coordenador do estudo e diretor do Centro Anti-Discriminação VIH/Sida.
 

Pedro Silvério Marques revelou que ficou “surpreendido” com “o peso que a discriminação tem nos serviços de saúde”, pensando que esta carga seria maior no meio laboral. “Cerca de 30% das situações são originadas nos serviços de saúde, o que é inaceitável”, lamentou.
 

No meio laboral, “além da entidade patronal, há os colegas de trabalho, que podem ter atitudes de discriminação, mas, nos serviços de saúde, o contacto é muito mais direto e pessoal, entre o profissional de saúde e o doente”, observou.
 

O estudo refere que nos últimos 12 meses, foi negada a prestação de cuidados de saúde, como o tratamento de dentes, a 22,9% dos inquiridos. Cerca de 5,7% viram recusado o atendimento num serviço de planeamento familiar e 3,4%, na área da saúde sexual e reprodutiva.
 

Na área da saúde há “um duplo tratamento”, disse Pedro Silvério Marques, explicando: “No serviço de doenças infeciosas, de um modo geral, as pessoas são tratadas sem qualquer discriminação, mas quando têm de passar para outros serviços, é uma desgraça”.
 

“O grande problema é que, até agora, todas as tentativas que fizemos de formação direcionada aos técnicos de saúde nos hospitais esbarraram sempre com uma declaração de autossuficiência”, sublinhou.
 

O Centro Anti-Discriminação tem realizado sessões de formação juntos de professores, formadores, técnicos do serviço social, que têm “uma vontade imensa” de participar nestas ações sobre VIH e estigma e sobre a forma correta de tratar as pessoas com VIH, mas “no sistema de saúde isso é impossível”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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