Sorrir facilita na recuperação de stress

Estudo publicado na “Psychological Science”

07 agosto 2012
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Um estudo levado a cabo pela University of Kansas, nos EUA, e publicado na revista científica “Psychological Science” investigou os potenciais benefícios do sorriso através da análise de diferentes tipos de sorriso, a consciência do mesmo e de que modo tudo isto afeta a capacidade individual de recuperar de episódios de stress.
 

“Adágios antigos como ‘sorri e aguenta de cara alegre’ sugerem que o sorriso pode ser não só um importante indicador não-verbal da felicidade mas promovem de um modo quase utópico o sorriso como panaceia para os eventos stressantes da vida”, refere Tara Kraft, uma das investigadoras do estudo. “Quisemos avaliar se estes adágios tinham mérito científico; se sorrir poderia ter benefícios relevantes para a saúde”, acrescentou.
 

O sorriso é normalmente dividido em duas categorias: sorrisos simples, em que são utilizados os músculos em torno da boca; e sorrisos genuínos ou Duchenne, em que são ativados tanto os músculos à volta da boca como dos olhos.
 

O estudo teve a participação de 169 indivíduos e foi composto por duas etapas: treino e teste. Durante a fase de treino os participantes foram divididos em três grupos. Cada grupo foi treinado para manter uma determinada expressão facial. Os participantes foram instruídos para segurar pauzinhos na boca de forma a utilizar os músculos faciais envolvidos na criação de uma expressão facial neutra, sorriso simples ou sorriso Duchenne. Os pauzinhos serviram para forçar os participantes a sorrir sem que tivessem consciência disso – apenas metade do grupo foi efetivamente instruído para sorrir.
 

Na fase de testes os participantes foram colocados a executar atividades que envolviam várias tarefas concebidas para provocar stress. A primeira atividade consistia em seguir uma estrela com aquela que não era a sua mão dominante, olhando para o reflexo da estrela num espelho. A segunda atividade requeria que os participantes mergulhassem uma mão em água gelada. Durante todas estas atividades os participantes mantiveram os pauzinhos na boca conforme indicado durante a fase de treino. De seguida, os investigadores mediram a frequência cardíaca dos participantes, assim como os níveis de stress relatados pelos mesmos ao longo das atividades.
 

Os resultados sugerem que o sorrir pode, de facto, influenciar o nosso estado físico: comparados com participantes que mantiveram expressões faciais neutras, aqueles que receberam instruções para sorrir, especialmente aqueles com sorriso Duchenne, apresentaram frequência cardíaca mais baixa após a recuperação de uma atividade stressante. Aqueles participantes que mantiveram os pauzinhos na boca de forma a forçar o sorriso, mas que não receberam instruções para se rir, também relataram uma pequena diminuição de afeto positivo em comparação com aqueles que mantiveram expressões faciais neutras.
 

Estes achados demonstram que sorrir durante momentos de stress pode ajudar a reduzir a intensidade da resposta do corpo ao stress, independentemente do facto de a pessoa se sentir realmente feliz ou não.
 

“Da próxima vez que estiver preso no trânsito ou experimentar algum tipo de stress, procure esboçar um sorriso por um momento. Não só o ajudará a suportar psicologicamente melhor a situação como também poderá ajudar a saúde do seu coração”, aconselha Sarah Pressman, cientista envolvida no estudo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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