Sons dos intestinos podem indicar síndrome do intestino irritável

Estudo publicado na revista “Gastroenterology”

12 junho 2018
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Uma equipa de investigadores desenvolveu um cinto acústico que permite escutar os sons produzidos pelos intestinos, podendo ajudar os médicos a diagnosticarem a síndrome do intestino irritável (SII) de forma mais fácil.
 
Calcula-se que a SII afete entre 10 a 20% da população dos países desenvolvidos. Os sintomas da doença incluem obstipação, diarreia, sensação de gás, inchaço abdominal e dor. Não se sabe as causas da SII, que passa muitas vezes sem ser diagnosticada pois os métodos usados não proporcionam exatidão ou são invasivos (colonoscopia).
 
A equipa de investigadores do Centro Marshall da Universidade da Austrália Ocidental, na cidade de Perth, usou a nova tecnologia, que tinha sido inicialmente desenvolvida para escutar os sons de atividade das térmites, para procurarem detetar problemas no sistema gastrointestinal humano.
 
A tecnologia foi adaptada para um cinto que pode ser usado por humanos. Com a ajuda de técnicas de aprendizagem de máquina, o cinto foi treinado para distinguir os complicados padrões sonoros produzidos pelos intestinos humanos.
 
Neste sentido, a equipa liderada por Barry Marshall recrutou 31 voluntários com diagnóstico de SII e 37 sem SII. Foram monitorizados os sons dos intestinos durante duas horas após jejum e durante 40 minutos após uma refeição.
 
Com os dados recolhidos, o sistema construiu um modelo de índice acústico para a SII. Seguidamente, testaram o cinto em mais 15 pacientes com SII e 15 sem a doença. O cinto consegui uma eficácia de 87% no diagnóstico de SII.
 
“Assim que desenvolvermos melhor o cinto e o testarmos em mais pacientes, esta ferramenta terá como fim o uso em contextos de cuidados de saúde primários para o diagnóstico de SII”, disse Josephine Muir, diretora associada do Centro Marshall.
 
A especialista acrescentou que “espera-se que esta nova tecnologia possa oferecer uma forma menos invasiva de diagnosticar esta doença dolorosa e por vezes debilitante”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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