Sons com cheiro, música colorida e a associação com o autismo

Estudo publicado na revista “Molecular Autism”

22 novembro 2013
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Os indivíduos com autismo apresentam também uma maior probabilidade de terem sinestesia, uma condição que envolve uma mistura de sentidos, como associar cores aos sons ou notas musicais que lembram paladares distintos, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Autism”.
 

O autismo é diagnosticado quando um indivíduo apresenta problemas em estabelecer relações sociais, demonstra interesses pouco usuais e resistência à mudança. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, constataram que a sinestesia apenas ocorre em cerca de 7,2% da população geral, enquanto atinge 18,9% dos indivíduos com autismo.
 

Estes são resultados um pouco inesperados, na medida em que estas duas condições não parecem ter algo em comum. Contudo, ao nível cerebral, a sinestesia implica ligações atípicas entre áreas do cérebro que não estão habitualmente ligadas entre si. Por outro lado, o autismo também tem sido associado a uma sobreatividade dos neurónios, assim, os indivíduos afetados tendem a focar-se em pequenos detalhes e têm dificuldade em ter uma noção completa da realidade.     
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Simon Baron-Cohen, contaram a com a participação de 194 adultos com distúrbios do espetro autista e com 97 adultos saudáveis. Todos os participantes foram submetidos a um rasteiro da sinestesia.
 

O estudo apurou que em 31 indivíduos com autismo e com sinestesia, as formas mais comuns desta condição eram o grafema e o fonema associados a uma determinada cor. Outros 18 referiram que o paladar, dor, cheiros também despoletavam uma experiência visual da cor.
 

“Há 25 anos que estudo tanto o autismo como a sinestesia e sempre assumi que as duas condições não estavam associadas. Estes resultados redefinem o caminho a tomar em futuras investigações, analisando os fatores que estão na base do desenvolvimento destas duas condições tão tradicionalmente distintas”, referiu em comunicado de imprensa, Simon Baron-Cohen.
 

O investigador acrescentou ainda que “os genes desempenham um papel crucial no desenvolvimento do autismo e a sinestesia parece também ter uma forte componente genética, mas os genes envolvidos nesta última condição ainda são desconhecidos. Assim estes novos achados encorajam-nos a investigar genes partilhados pelas duas condições”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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