Sono profundo: a fonte da juventude?

Estudo publicado na revista “Neuron”

10 abril 2017
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Um novo estudo demonstrou que a falta de um sono profundo e reparador nas pessoas mais velhas pode fazer aumentar o risco de falhas de memória, bem como de doenças mentais e físicas.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, revelou que a deterioração do sono tem sido associada a doenças como Alzheimer, cardíacas, acidente vascular cerebral, obesidade e diabetes.
 
Segundo Mathew Walker, autor sénior do estudo e professor de Psicologia e Neurociências daquela universidade, “fizemos um bom trabalho de prolongar a longevidade, mas um mau trabalho em prolongar a nossa saúde. Agora vemos o sono e a melhoria do sono como uma nova via para remediar esse facto”.
 
A deterioração do sono profundo e consolidado típico da juventude, pode ter início aos 30 e tal anos, o que poderá levar a problemas cognitivos e físicos logo na meia-idade.
 
Mathew Walker afirma ainda que os medicamentos para dormir são um mau substituto dos ciclos de sono naturais necessários para que o cérebro funcione adequadamente pois não promovem um sono real. “Os comprimidos para dormir sedam o cérebro em vez de o ajudar a dormir naturalmente”, explica. 
 
Para o seu estudo, Mathew Walker e os colegas Bryce Mander and Joseph Winer citaram estudos que demonstram que um cérebro em envelhecimento tem problemas em gerar as ondas lentas de sono profundo e restaurador, assim como os químicos neurológicos que nos ajudam a passar do estado de sono para o de desperto de forma estável. 
 
Esta perturbação faz com que muitas pessoas mais velhas passem o dia exaustas e a noite despertas.
 
“As partes do sono que se deterioram primeiro são as mesmas regiões que nos oferecem o sono profundo”, elucidou Brice Mander, autor principal do estudo e investigador naquela universidade. Segundo o especialista, começa-se agora a descobrir que o declínio do sono relacionado com a idade está relacionado com o declínio da memória numa fase posterior da vida.
 
Entretanto, estão a ser exploradas intervenções não farmacológicas para promover a qualidade do sono, como a estimulação elétrica para amplificar as ondas cerebrais durante o sono. Estas alternativas à medicação constituem um desafio para os investigadores. “Precisamos de quantidade e de qualidade [de sono]”, rematou Mathew Walker.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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