Sono poderá afetar eficácia de células estaminais em transplantes

Estudo publicado no “Nature Communications”

28 dezembro 2015
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Um défice de sono de apenas quatro horas pode afetar em cerca de 50% a capacidade de as células estaminais do sangue e do sistema imunitário migrarem para os locais devidos e desenvolver o tipo de células necessárias para reconstituir o sistema imunitário deficiente em ratinhos que receberam transplante de medula, revela um estudo levado a cabo pela Universidade de Stanford, nos EUA.
 
Apesar de a investigação ter sido realizada num modelo animal, os cientistas acreditam que estes achados poderão ter implicações nos transplantes de células estaminais em humanos.
 
“Tendo em conta a pouca atenção que normalmente prestamos ao sono em ambiente hospitalar, estes achados são perturbantes”, revela Asya Rolls, uma das autoras do estudo, numa nota divulgada pela universidade norte-americana. “Temos tanto trabalho para encontrar um dador compatível e esta investigação sugere que se o dador não tiver descansado devidamente tal pode ter impacto no resultado do transplante. Contudo, é encorajador pensar que este não é um obstáculo inultrapassável; um curto período de sono de reparação antes do transplante pode restaurar a capacidade de as células do dador funcionarem normalmente”.
 
Rools e a sua equipa mantiveram um grupo de ratinhos acordados durante quatro horas, enquanto outro grupo dormia. De seguida, os cientistas recolheram células estaminais da medula óssea de ambos os grupos de ratinhos e injetaram-nas em 12 ratinhos que tinham recebido uma dose de radiação que normalmente seria considerada letal. Estes ratinhos receberam ainda uma injeção com células da sua própria medula óssea recolhidas antes da radiação, de forma a ser possível quantificar a capacidade relativa das células doadas de enxertar com sucesso.
 
Seguidamente os investigadores avaliaram a prevalência das células imunitárias mieloides, que derivam das células estaminais doadas, oito e 16 semanas após o transplante. Os resultados desta análise revelaram que as células estaminais de animais que descansaram representavam cerca de 26% das células mieloides nos animais recetores, enquanto as de animais que não tinham descansado constituíam apenas cerca de 12%.
 
A equipa de cientistas comparou ainda a capacidade das células estaminais de ambos os grupos de animais em se deslocarem do sangue dos animais que as receberam para a medula óssea. Ao fim de 12 horas, 3,3% das células estaminais dos animais que tinham descansado encontravam-se na medula óssea, enquanto apenas 1,7% das células de animais que não tinham descansado tinham realizado o mesmo percurso com sucesso.
 
Testes realizados em laboratório revelaram que as células estaminais hematopoiéticas de animais privados de sono responderam com menos vigor do que as dos outros ratinhos aos sinais químicos que desencadeiam a migração celular. Além disso, as células dos ratinhos que não descansaram apresentaram níveis inferiores de uma mensagem ARN que controla a expressão de uma família de proteínas denominadas SOC que inibem a migração das células estaminais hematopoiéticas.
 
Contudo, os cientistas descobriram que os efeitos da privação de sono podiam ser invertidos se deixassem os ratinhos repor o tempo de sono. Como tal, apenas duas horas de sono foram suficientes para restaurar a capacidade das células estaminais dos animais em apresentar uma função normal nos testes de transplante.
 
“Ainda não sabemos de que forma a privação afeta todos nós, não apenas os dadores de medula. O facto de o sono de recuperação ser tão benéfico apenas enfatiza a importância de prestar atenção ao sono”, acrescenta Rolls.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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