Sono pode recuperar recordações

Dois estudos demonstram carácter dinâmico da memória

08 outubro 2003
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Uma boa noite de sono permite guardar na memória recordações perdidas no dia anterior, mas estas têm de ser fixadas novamente para não serem esquecidas, afirmam dois investigadores na revista Nature.
 

 

Como base de estudo, Daniel Margoliash e colegas da Universidade de Chicago, Illinois (EUA), treinaram estudantes a reconhecer palavras foneticamente simples emitidas por um sintetizador.
 

 

Submetidos a dois testes, um de manhã e outro à noite, os índices de memorização dos estudantes foram diferentes, sendo melhores no primeiro que no segundo, mas depois de uma noite de sono «o desempenho voltou ao seu nível superior», afirma-se num dos estudos.
 

 

«O sono pode recuperar recordações que naturalmente caíram no esquecimento», diz Karim Nader, do departamento de psicologia da Universidade McGill de Montreal, num comentário publicado também pela Nature.
 

 

Nader recorda que existem dois estados de memória, uma imediata (de curto prazo), em que as recordações não estão ainda fixadas, e várias horas mais tarde uma memória estabilizada e consolidada graças a um processo de consolidação celular através do qual os neurónios sintetizam as proteínas e os ARN (ácidos ribonucleicos), moléculas que agem como mensageiras.
 

 

Outra equipa de investigadores dirigida por Matthew Walker, do laboratório de Neurofisiologia da Faculdade de Medicina de Harvard (Boston, Massachusetts), afirma que o funcionamento da memória implica várias etapas que transformam pensamentos e impressões voláteis em informações mais permanentes e podem ser afectadas pelo sono e a vigília.
 

 

Mas mesmo quando termina o processo, dizem os investigadores, as recordações em memória podem ser alteradas, já que o simples facto de recordar algo pode fragilizar e desestabilizar essa recordação, que, para ficar gravada na memória, precisa de uma nova consolidação celular.
 

 

Isto mostra a capacidade do cérebro, em função das experiências vividas pelo sujeito, de alterar recordações já guardadas na memória. «A descoberta da existência da reconsolidação no ser humano é essencial», afirma Nader. «Mas o que também mostram Walker e a sua equipa é que as recordações não são iguais entre si», conclui no seu comentário.
 

 

Fonte: Lusa
 

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