Sono insuficiente e desregrado aumenta o risco de doenças cardíacas

Dia Mundial do Sono

18 março 2016
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O sono insuficiente e desregrado aumenta o risco de desenvolver hipertensão arterial e de morrer por doença cardiovascular, alerta a Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono (APCMS) e a Sociedade Portuguesa de Hipertensão.
 
No dia em que se assinala o Dia Mundial do Sono, as duas organizações alertam a população para a importância do sono e para as consequências nefastas da sua privação nos sistemas metabólico e cardiovascular.
 
O presidente da APCMS e investigador do Centro Cardiovascular da Universidade de Lisboa, Miguel Meira e Cruz, revelou à agência Lusa que o sono interfere com a função cardiovascular.
 
“O sono interfere nestes mecanismos e ajuda a regular a função cardiovascular, mas se não o temos de forma adequada também apoia o processo de desestabilização destes mecanismo e o aumento da prevalência da hipertensão e do risco cardiovascular global”, referiu Meira e Cruz. 
 
O presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, José Mesquita Bastos, acrescenta que “a ausência de um sono com qualidade é um risco cardiovascular acrescido e associa-se a um pior prognóstico da hipertensão arterial, com consequente risco acrescido de enfarte e acidente vascular cerebral”.
 
De acordo com um estudo divulgado pela APCMS, apenas cerca de 20% dos adolescentes portugueses se aproximam do sono recomendado para o escalão etário (nove a dez horas) e que 12,5% dormem menos de sete horas durante a semana. 
 
Dos mais de 350 adolescentes envolvidos no estudo, 91,1% dos quais obesos, tinham “um sono claramente reduzido”, um “mau hábito” que abrange todos os escalões etários, “com repercussões que, embora sejam distintas, na dependência do período da vida que afetam, são sempre negativas”, frisou Meira Cruz. 
 
O investigador referiu ainda um estudo de 2012 que incidiu sobre cerca de 200 adolescentes da cidade de Lisboa, que demonstrou que 34% destes eram hipertensos e que 12% eram colocados no estado de pré-hipertensão. 
 
“Sabemos que existe uma associação clara entre o sono e a desregulação metabólica associada à obesidade e ao excesso de peso que também se conjuga para a doença cardiovascular, nomeadamente isquémica”, acrescentou.
 
Apesar da existência de resultados que “podem num ou noutro momento causar alguma controvérsia”, Miguel Meira Cruz assegura que “a relação entre privação de sono e risco de mortalidade cardiovascular é inequívoca e que vale a pena refletir, sobretudo numa perspetiva profilática, sobre a urgência de adquirir hábitos e padrões de sono saudáveis”.
 
“Vale a pena prevenir, durmam bem antes que seja tarde”, aconselhou o especialista.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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