Sono fortalece memória imunológica

Estudo publicado na revista “Trends in Neurosciences”

02 outubro 2015
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Já há algum tempo que se sabe que o sono ajuda a formar as memórias de longa duração. O estudo agora publicado na revista “Trends in Neurosciences” sugere que o sono profundo é também capaz de reforçar as memórias imunológicas de encontros passados com agentes patogénicos.
 
“Embora já há algum tempo de saiba que o sono apoia a formação da memória de longa duração no domínio psicológico, a ideia de que a formação da memória de longo prazo é uma função do sono eficaz em todos os sistemas orgânicos é, na nossa opinião, uma informação completamente nova", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jan Born.
 
O sistema imunológico recorda-se de um encontro prévio com uma bactéria ou vírus através da recolha de fragmentos do agente patogénico para criar as células T de memória. Estes linfócitos T de memória, que têm uma duração de meses ou anos, reconhecem uma infeção prévia e estão, por isso, mais bem preparados para responder a um possível ataque por parte dos mesmos ou novos agentes patogénicos.
 
Os linfócitos T de memória parecem recolher informação reduzida dos agentes patogénicos, em vez de informação detalhada. Assim, a recolha deste tipo de informação permite que as células T reconheçam novos agentes patogénicos que são semelhantes, mas não idênticos, aos detetados anteriormente.
 
Estudos realizados em humanos demonstraram que o aumento da memória de longa duração está associado ao sono profundo, também conhecido por sono de ondas lentas, nas noites após a vacinação. Os resultados do estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Tuebingen, na Alemanha, apoiam a hipótese de que o sono profundo contribui para a formação de memórias de longa duração de informação abstrata e generalizada, que conduz ao comportamento adaptativo e resposta imunológica. Desta forma, a privação de sono pode por em risco a saúde.
 
Os autores do estudo explicam que se as pessoas não dormirem, o sistema imunitário poderá focar-se nas partes erradas do agente patogénico.
 
Por outro lado, tem sido sugerido que há hormonas libertadas durante o sono que podem beneficiar da interação entre as células apresentadoras do antigénio (partícula ou molécula estranha ao organismo) e as células que reconhecem o antigénio. 
 
Na opinião de Jan Born, os estudos futuros deveriam analisar que informação é selecionada durante o sono para o armazenamento de memória de longa duração, e como esta seleção é conseguida. Em última análise esta investigação pode ter importantes implicações clínicas, nomeadamente no desenvolvimento de vacinas mais eficazes contra ao VIH, malária e tuberculose, uma a vez que estas doenças são baseadas na memória imunológica. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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