Sono facilita acesso a memórias

Estudo publicado no “Cortex”

13 agosto 2015
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O sono não permite apenas manter memórias e evitar que informação importante seja esquecida, mas facilita também o acesso a memórias, de acordo com um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e do Centro Basco para a Cognição, Cérebro e Linguagem, em Espanha. Isto poderá querer dizer que, depois de dormir, somos capazes de aceder a informação a que de outra forma não teríamos acesso (ou teríamos muito mais dificuldade) enquanto estivéssemos acordados.
 
A investigação consistiu na monitorização da memória de palavras novas e inventadas, aprendidas antes de uma noite de sono ou de um período equivalente de vigília. Os participantes tiveram de lembrar-se de palavras imediatamente após a exposição a estas e, mais tarde, depois de um período de sono ou de vigília.
 
A distinção principal ocorreu entre aquelas palavras que os participantes conseguiram lembrar-se tanto logo após o primeiro teste como do segundo, realizado 12 horas depois, e aquelas que os participantes não conseguiram recordar no primeiro teste, mas que foram capazes de o fazer no segundo teste.
 
Em duas situações em que os indivíduos esqueceram informação ao longo de 12 horas de vigília, uma noite de sono revelou promover o acesso a vestígios de memória que eram inicialmente considerados demasiado fracos para serem recuperados.
 
Dessa forma, os cientistas descobriram que, comparado com a vigília diurna, o sono ajudou a recuperar memórias, mais do que a evitar a perda destas.
 
Segundo Nicolas Dumay, da Universidade de Exeter, “o sono quase duplica as possibilidades de recuperar material não recordado anteriormente. A melhoria de acesso à memória após o sono poderá indicar que algumas memórias são aperfeiçoadas durante a noite. Isto vem ao encontro da noção de que, durante o sono, ensaiamos ativamente a informação assinalada como importante.”
 
Contudo, o cientista adverte para a necessidade de “desenvolver mais investigação acerca do significado funcional deste ensaio e se, por exemplo, isso permite aceder mais facilmente a memórias num leque mais amplo de contextos, tornando-as, dessa forma, mais úteis.”
 
Os benefícios do sono encontram-se bem documentados, assim como o facto de o sono ser reconhecido como uma forma de nos ajudar a lembrar de coisas que ouvimos ou fizemos no dia anterior. A ideia de que as memórias poderão ser melhoradas e tornadas mais vivas e acessíveis durante a noite, é, contudo, uma noção que ainda necessita de ser explorada em maior profundidade.
 
Dumay acredita que o impulso de memória provém do hipocampo, uma estrutura interna do lobo temporal, que recupera memórias recentemente codificadas e que as repete para regiões do cérebro que estão originalmente envolvidas na sua captura (o que levaria os indivíduos a efetivamente re-experienciar os acontecimentos principais do dia).
 
“O sono não protege apenas as memórias do esquecimento, mas torna-as também mais acessíveis”, conclui Dumay.   
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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