Soninho descansado...

Suspiro durante o sono reequilibra sistema nervoso do bebé

23 janeiro 2002
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Se entra em pânico quando ouve o seu bebé a suspirar durante o sono, fique descansado que está tudo bem. É que, segundo os cientistas, esse tipo de respiração é um indicador de sono saudável e, algumas vezes, serve como um mecanismo importante de sobrevivência.
 

 

Afinal, o suspiro durante o sono – em termos científicos suspiro significa uma respiração com amplitude ao menos duas vezes maior que a anterior – revigora o sistema nervoso autónomo, que controla a pressão sanguínea, a frequência cardíaca, a temperatura corporal e outras funções orgânicas importantes. Sonia Scaillet, do Hospital Universitário Infantil, em Bruxelas, Bélgica, estudou o assunto e chegou a estas conclusões.
 

 

O suspiro do bebé, descobriu a investigadora, age como um "botão de reiniciar", que reequilibra dois sistemas do sistema nervoso central: o sistema nervosos simpático e o parassimpático que actuam nos períodos de maior e menor tensão, respectivamente.
 

 

Avaliação dos suspiros
 

 

A equipa de Scaillet avaliou 107 suspiros isolados de registos de sono de 23 crianças que nasceram após gestações completas. Na época da investigação, a idade média dos bebés era de 33 semanas. Os cientistas compararam um período de dois minutos antes do suspiros com os dois minutos seguintes.
 

 

Verificaram, então, que antes do suspiro, a actividade simpática era decrescente e a parassimpática aumentava. Na análise seguinte ocorreu o oposto, o funcionamento do sistema parassimpático caiu e o do simpático aumentou.
 

 

"O suspiro é um mecanismo saudável", disse Patricia Franco, responsável pela apresentação do trabalho durante a 20ª Conferência Anual sobre Distúrbios do Sono na Infância. "Se existe um problema na respiração, o suspiro pode ser importante para a oxigenação", acrescentou a investigadora.
 

 

Síndroma da morte súbita
 

 

Recentemente, vários especialistas da área do sono voltaram a atenção para os mecanismos de despertar - como os suspiros -, num esforço para compreender melhor o sono dos bebés e problemas como a síndroma da morte súbita infantil.
 

Afirmar que um bebé que suspira apresenta um menor risco para essa síndroma, definitivamente, seria demasiado forçado, acrescentou Scaillet.
 

 

"Os suspiros têm se mostrado parte da reacção de despertar e a falha no acordar está envolvida com a morte súbita. Dessa forma, uma criança que suspira, provavelmente, possui mecanismos adequados de despertar", observou a investigadora.
 

 

Outros factores, no entanto, estão relacionados com o aumento do risco da síndroma da morte súbita, tais como, adianta a investigadora, os factores ambientais - fumo, posição de dormir e temperatura do quarto -, doenças e maturação.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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