Sonda cirúrgica ajuda a detetar limites de tumor

Resultados de estudo publicados no “Cancer Research”

24 setembro 2015
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Uma nova ferramenta cirúrgica que ajuda cirurgiões a verificar se extraíram a totalidade de tecido com células cancerígenas demonstrou boa correlação com diagnósticos de patologistas em estudos clínicos, o que poderá tornar, em breve, esta ferramenta numa preciosa ajuda para cirurgiões.
 
Determinar onde um tumor acaba é uma tarefa não só difícil, mas também crucial tanto para cirurgiões como para patologistas. Embora um tumor sólido possa ser facilmente identificado, o tecido à volta deste, denominado a margem, poderá conter igualmente células cancerígenas. Como tal, é comum os cirurgiões retirarem o tecido que circunda o tumor sem, contudo, conseguirem garantir com total certeza de que não restam quaisquer células cancerígenas que possam reemergir mais tarde sob a forma de tumor.
 
O instrumento desenvolvido na Universidade de Illinois, nos EUA, consiste numa sonda portátil que tem por base uma tecnologia denominada tomografia de coerência ótica (OCT, sigla inglesa) que utiliza a luz para analisar o tecido em tempo real. 
 
De acordo com Stephen Boppart, líder deste estudo interdisciplinar, o tecido normal e o tecido canceroso dispersam a luz de forma diferente, visto apresentarem características microestruturais e moleculares distintas. Dessa forma, a OCT permitem medir quantitativamente as características celulares de um tumor. Os cirurgiões podem passar o instrumento OCT sobre uma parte do tecido e ver uma imagem no ecrã sem necessidade de utilizar químicos para marcar ou realizar uma análise demorada ao tecido.
 
“Em muitos casos, não é possível distinguir diferenças entre células cancerígenas e tecido normal a olho nu, mas com a OCT são muito diferentes”, adianta Boppart.
 
Neste estudo clínico participaram 35 indivíduos com cancro da mama. Embora tendo seguido o procedimento cirúrgico padrão para estes casos, os cientistas registaram dados recolhidos através de OCT relativos à margem da cavidade tumoral e da massa de tecido extraído durante a cirurgia para poderem comparar os resultados mais tarde. 
 
O estudo revelou que o aparelho OCT identificou as diferenças entre tecido normal e canceroso com um grau de sensibilidade e de especificidade de 92%. Além disso, os resultados obtidos através de OCT apresentaram estreita correlação com aqueles obtidos através de análise patológica dias mais tarde.
 
“Pela primeira vez, este estudo demonstra a utilização da OCT para a imagiologia de margens de tumores na cavidade tumoral, no paciente, durante a cirurgia”, declarou Boppart. “É provavelmente melhor verificar se algumas células tumorais poderão ter ficado, em vez de verificar a massa tumoral que foi removida. Então, o cirurgião pode intervir de imediato”, acrescentou.
 
Os cientistas esperam continuar estudos clínicos com OCT em outros tipos de tumor sólidos na esperança de inovações tecnológicas como esta poderem, no futuro, melhorar não só os cuidados de saúde como salvar vidas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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