Sonambulismo e terrores noturnos podem ser hereditários

Estudo publicado no jornal “JAMA Pediatrics”

14 maio 2015
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De acordo com um novo estudo, publicado no jornal “JAMA Pediatrics”, algumas perturbações do sono podem ser hereditárias.
 
Um grupo de investigadores, liderados por Jacques Montplaisir, do Hospital Sacré-Coeur de Montreal, no Canadá, revela que pais com um historial de sonambulismo têm grande probabilidade de ter filhos com o mesmo problema. Aparentemente, fatores genéticos podem desencadear o sonambulismo e até os terrores noturnos.
 
O objetivo do estudo foi avaliar a prevalência do sonambulismo e dos terrores noturnos na infância para determinar se haveria alguma relação entre estas duas perturbações e se o historial parental teria alguma influência.
 
Os investigadores analisaram os dados de cerca de 1.900 crianças que participaram no Estudo Longitudinal de Desenvolvimento Infantil do Quebec. As crianças tinham nascido entre 1997 e 1998 e foram avaliadas entre 1999 e 2011.
 
Todos os anos as mães das crianças, que no início do estudo tinham entre os 18 e os 30 meses de idade, responderam a questionários até estas terem completado 13 anos. Esses questionários incluíam perguntas relacionadas com as eventuais perturbações de sono das crianças e o historial dos pais relativamente ao sonambulismo.
 
Entre os 18 meses e os 13 anos, a prevalência dos terrores noturnos foi de 56,2%. Aos 18 meses, 34,4% experienciavam terrores noturnos. Esta percentagem descia para 5,3% aos 13 anos.
 
A prevalência do sonambulismo dos 30 meses aos 13 anos foi de 29,1%. Nas crianças em idade pré-escolar, o sonambulismo era menos frequente, mas por volta dos 10 anos 13,4% das crianças manifestava este distúrbio do sono.
 
Os resultados do estudo mostraram que o aparecimento precoce de terrores noturnos está associado à manifestação do sonambulismo quando a criança fica mais velha.
 
34,4% das crianças que entre os 18 meses e os três anos tinham terrores noturnos, experienciavam episódios de sonambulismo por volta dos cinco anos. Enquanto aquelas que não experienciavam terrores noturnos na primeira infância tinham menos probabilidade de vir a sofrer de sonambulismo.
 
Os resultados do estudo mostraram que crianças que tenham um pai sonâmbulo têm três vezes mais probabilidade de vir a sofrer de sonambulismo do que aquelas cujos pais não tenham esta perturbação. No caso das crianças em que ambos os progenitores sofrem desta perturbação do sono, este risco aumenta sete vezes.
 
No caso dos terrores noturnos, crianças que tenham pais sonâmbulos têm o dobro da probabilidade de vir a experienciar terrores noturnos. 
 
Portanto, sonambulismo e terrores noturnos podem ser “herdados”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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