Sofrer por empatia

Mulheres sentem dor com a dor dos parceiros

23 fevereiro 2004
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Ver quem se ama com dores é uma experiência dramática, mas a novidade é que também pode sentir dores semelhantes. Segundo um estudo britânico, o cérebro das mulheres jovens que viam os seus maridos ou namorados «apanhados» por um doloroso choque eléctrico reagiam praticamente da mesma forma como se fossem elas que estivessem na situação. Essa reacção acontece em algumas áreas de cérebro activadas pela dor verdadeira, não nas áreas associadas às emoções evocadas pela dor, segundo a equipa do University College, de Londres.A equipa liderada por Tania Singer testou 16 casais: numa primeira fase foi aplicado às mulheres um choque eléctrico, «tipo ferroada», e usada a técnica de ressonância magnética funcional por imagens (fMRI, na sigla em inglês) para observar a actividade cerebral no momento. Em seguida, deixaram que as mesmas mulheres vissem os seus parceiros a apanharem um choque semelhante.Quando as mulheres recebiam o choque, as regiões tradicionalmente associadas à dor, como o córtex cingulado anterior, o tálamo e os córtices somatosensitórios acendiam-se. A maioria dessas regiões era activada também quando os seus companheiros recebiam choques dolorosos – mas não os córtices somatosensitórios.O resultado, segundo os cientistas que publicaram o estudo na revista «Science», é muito semelhante à acção do cérebro quando alguém prevê que sofrerá uma dor.Para a psicóloga Tania Singer quando antecipamos uma dor em nós mesmos, ou seja, quando sabemos que no próximo minuto vamos receber um estímulo doloroso, sofremos uma emoção por antecipação. «O coração começa a bater mais rápido e suas mãos suam. Mas ainda não sentimos a dor. Isto é uma situação semelhante a quando temos uma empatia automática com o outro.»Mas, até ao momento, os investigadores não sabiam se a empatia era uma reacção cognitiva – o que significa que o cérebro pensa a resposta, mas não «sente» de verdade – ou, então, se era algo mais ligado a uma sensação física.O estudo sugere que a empatia é em parte física, embora nem toda a chamada rede da dor tenha sido activada, disse Singer.«Compreender isso é um pouco complicado. A dor era como a da ferroada de uma abelha. Quando uma abelha pica, a dor chega a um receptor nervoso e à espinha dorsal e atinge o cérebro, e há áreas no cérebro que codificam a localização da dor – o nariz, um membro ou a mão», explicou Singer à agência Reuters. E acrescentou: «Este é o córtex somasensitório. Ele tem o conhecimento exacto sobre de que parte do corpo vem a dor. E isso não é activado quando se sente empatia. Mas a resposta emocional era na área que determina como é essa dor. É agradável ou desagradável? E essas áreas também são activadas quando vimos o nosso parceiro com dor.»Depois deste estudo, a equipa prepara-se para estudar as diferenças na empatia entre os sexos. E também vai examinar a reacção das pessoas quando vêem estranhos com dor.Há muitas explicações possíveis para a empatia. Uma delas é que nos ajudará a prever a acção dos outros. «Quando pudermos compreender em que estado emocional alguém está, se conseguirmos sentir isso, poderemos antecipar se essa pessoa nos vai fazer mal ou se vai fugir.»Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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